ESPECIAL OSCAR® 2018: “A Forma da Água”

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Indicado a 13 Academy Awards – Oscar®

Unable to perceive the shape of You, I find You all around me. Your presence fill my eyes with Your Love, it humbles my heart for you are everywhere.

Guillermo Del Toro é um diretor que faz críticas à sociedade e seus modos através de seus filmes com realidades fantásticas. O Labirinto do Fauno é um exemplo exitoso de sua carreira que é marcada por altos e baixos (mais altos, que baixos – é importante destacar). Através de A Forma da Água, Del Toro continua com sua tradicional forma de contar histórias. O longa escrito por ele e Vanessa Taylor é um conto de horror com muito amor envolvido – e isso já é o bastante para conquistar o público.

A Forma da Água conta a história de Elisa Esposito, uma faxineira muda de um laboratório que trabalha com o governo norte-americano, que se apaixona por uma criatura marítima (ou o Amphibian Man, como está creditado no roteiro) provinda das águas amazônicas e mantida lá para estudo. E, como é dito logo no início, existe um monstro tentando acabar com isso. Claramente inspirado no clássico dos anos 50, O Monstro da Lagoa Negra, o longa-metragem traz um roteiro que prima pelas homenagens, mas sem deixar de ser original. A história tem o cuidado de apresentar todos os personagens envolvidos logo nos primeiros minutos, assim como o plot principal, desenvolvendo com um aspecto romântico, mas sem deixar de lado todas as entrelinhas do horror – dessa vez, algo mais político (como não poderia deixar de ser).

O roteiro de Del Toro e Taylor discute a questão política na Guerra Fria, assim como os movimentos negros da mesma época. Ainda abre espaço para homenagear o cinema e falar sobre a chegada da televisão e o espaço utilizado pela fotografia. Aliás, a homenagem ao cinema está não só no fato da personagem morar em cima de um. Está, também, nos filmes assistidos por Elisa e Giles (Richard Jenkins). Nunca indo direto ao ponto, mas não deixando de pontuar através de diálogos fortes – como o que há na cena onde Strickland (Michael Shannon) diz a Zelda (Octavia Spencer) que Deus se pareceria mais com ele, que com ela – o longa é uma reunião de coisas que poderiam atrapalhar o desenvolvimento, mas só ajudam. A forma como o romance entre a protagonista e a criatura é construída é um dos pontos altos do filme. Durante uma das sessões que fui do filme, uma das mulheres que estava ao meu lado, em uma determinada cena dentro do banheiro, disse: “quando a gente se apaixona de verdade, só queremos mergulhar profundamente”. É uma prova de como uma história de amor bem contada provoca reações diversas. Aliás, A Forma da Água (assim como Me Chame Pelo Seu Nome) fala de vários tipos de amor com uma sublimidade pouco vista atualmente.

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Mas além do roteiro, a direção de Del Toro é o maior destaque. Optando por planos mais fechados, nos deparamos com homenagens ao formato de cinema antigo, inclusive através de uma belíssima cena de dança entre Elisa e o Amphibian Man – que muitos disseram que soava desnecessária, mas, na verdade, é um complemento de uma história. Sem poder falar, Elisa via no cinema sua forma de expressão. Nada mais justo que transparecer isso em uma cena em preto e branco ao som de You’ll never know.

As cores do filme são outro destaque. O mundo de Elisa é basicamente azul, trazendo a melancolia da personagem e, também, sua paixão pela água. Importante notar, também, que à medida que a personagem se apaixona, itens de seu vestuário ficam vermelhos – como a faixa do cabelo, o sapato e seu sobretudo. As cores mais amareladas, ficam por conta do ambiente externo, aqueles que estão em volta de Elisa. O verde, cor mais notável durante todo o filme, é uma menção direta ao futuro, ou seja, a quebra de todos os padrões estabelecidos. E, claro, o vermelho que já mencionei acima, que serve como referência ao cinema e ao amor. O estudo de cores como forma de sentimento é algo que merece destaque. Del Toro mostra toda a sua paixão pelo filme através disso e de sua direção e a gente consegue sentir isso.

Aliado a todo esse trabalho de produção, temos que destacar o trabalho de Alexander Desplat, que traz a melhor trilha sonora dos filmes indicados à categoria principal esse ano. Desde a música inicial, passando por A Princess Without Voice ou Underwater Kiss e sua produção de You’ll Never Know. A trilha ainda conta com La Javanaise (uma das músicas mais lindas do mundo) e Chica Chica Boom Chic de Carmem Miranda.

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E antes que eu me estenda demais…

O elenco é outro ponto alto do filme. Richard Jenkins traz uma ternura gigantesca como o Giles e é responsável por cenas de alívio cômico como também com as de teor mais forte. Já Michael Shannon incorpora um vilão quase da Disney, com basicamente nenhuma modificação na voz e com caras e bocas – ele é o grande monstro do filme e isso fica evidente. Michael Stuhlbarg (olha ele de novo!) aproveita a dubiedade do personagem e entrega um trabalho impecável, principalmente no segundo ato do filme. E é impressionante ver que ele está completamente diferente dos seus trabalhos em Me Chame Pelo Seu Nome e The Post. Octavia Spencer é a voz de Elisa e garante momentos mais leves, apesar de lembrar outras personagens da atriz em filmes anteriores.

Mas a força reside em Sally Hawkins com sua tristeza, felicidade, descoberta e fascinação sendo transmitidos através do olhar. Eu a considero uma das melhores atrizes do mundo, responsável por personagens fascinantes em Simplesmente Feliz, Blue Jasmine ou Maudie e aqui não é diferente. A força cênica dela em uma discussão com o Giles é de arrepiar, sua emoção transpassa a tela e você sente, junto com Elisa, o amor dela por aquele homem-anfíbio (um trabalho fascinante de Doug Jones).

A Forma da Água está no páreo com Três Anúncios para um Crime para o Oscar de Melhor Filme e sua vitória seria algo maravilhoso. É um filme que merece ser visto e revisto várias vezes para se comprovar que o que mais importa no mundo, hoje e sempre, é o amor.

Adendo: o filme tem a cena final mais linda dos últimos anos. É para se arrepiar e ficar sem palavras.

Adendo 2: Uma pena que muitos que assistem ao filme ficam rindo em cenas que mostram o amor puro e verdadeiro entre os personagens. Se não embarcarmos na história, não conseguiremos sentir metade do que o filme nos proporciona.

Avaliação do Filme: 10/10

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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