ESPECIAL OSCAR® 2018: “The Post: A Guerra Secreta”

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Indicado a 2 Academy Awards – Oscar®

“News is the first rough draft of history.”

Steven Spielberg queria que esse filme fosse lançado o mais rápido possível, quase a toque de caixa. O motivo é o mais óbvio possível: aproveitar o oportuno momento em que se discute “fake news” e o tema político está em alta nos Estados Unidos (e aqui também). Então, é claro, o lançamento de The Post aconteceu no momento certo tanto socialmente e politicamente falando, quanto no de premiações. Apesar de não estar concorrendo em nenhuma categoria técnica, o novo filme de Spielberg concorre a Melhor Atriz e Melhor Filme – e não duvidaria ele ter uma grande chance nessa última.

The Post: A Guerra Secreta fala do vazamento de importantes (e secretos) documentos sobre a Guerra do Vietnã, abrindo precedentes para uma disputa entre a imprensa e o governo. O presidente da época era Nixon… Bem, para quem conhece um pouco da história dos Estados Unidos sabe que Nixon é sinônimo de muito pano para manga. E aí começa o brilhantismo do filme.

O roteiro de Josh Singer e Liz Hannah (o primeiro foi responsável por Spotlight – ganhador de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Filme em 2016) aposta em diálogos que beiram a perfeição. Sejam eles nas cenas em que se discute estratégias jornalísticas ou em momentos pessoais dos protagonistas Kay Graham (Meryl Streep) e Ben Bradlee (Tom Hanks). Aliás, a construção isolada dos arcos dos dois mostra uma carpintaria bem feita do texto, culminando em ótimas cenas finais onde passado os arcos individuais, se resume ao principal ponto da trama. No meio de escândalos políticos e discussões sobre a imprensa, o roteiro ainda encontra uma brecha para falar sobre machismo e feminismo. Kay Graham é uma importante líder feminina na história jornalística e do mundo moderno e isso é muito bem exibido pelo texto e também pela atuação – que falarei mais a frente.

Apesar desses pontos positivos, o roteiro não escapa de algumas situações que soam forçadas. A principal delas é visível no início do filme: quando determinado personagem está saindo com os papeis que culminam no problema, mas dá uma pausa quase teatral e dramática só para provocar um maior impacto. Sério, isso era realmente necessário?!

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Em contraponto, Spielberg entrega uma das melhores direções de sua carreira. Ao optar pela câmera praticamente sempre em movimento, ele aumenta a tensão presente na redação jornalística, mas ele consegue o mesmo feito ao enquadrar em planos mais fechados seus protagonistas, criando um clima de claustrofobia – não é à toa que quando toda a situação se resolve, ele usa um plano abertíssimo. Um outro detalhe que faz a diferença é o uso de pequenas metáforas visuais (a cena da sala de reunião, por exemplo, ou a do café da manhã). Uma ótima sacada do filme, também, foi usar os verdadeiros áudios do presidente Nixon nas cenas que mostram as ligações.

Partindo para as atuações, temos mais um ótimo trabalho de Tom Hanks. Seu personagem inicia o filme com um grau de dubiedade que vai sendo diminuído durante a duração e enquanto ele completa seu arco individual. E Streep parece ter um papel muito simples em mãos, mas é muito mais complicado. Ela se tornou a atriz que é não só pela sua facilidade de incorporar personagens reais, mas por conseguir transmitir muito através de um simples olhar que às vezes não está na tela nem cinco segundos (observem a cena em que ela lê os papeis na sala de reuniões). Os coadjuvantes são de peso e aumentam o status do filme: Sarah Paulson, Carrie Coon, Jesse Plemons, Alison Brie, Mathew Rhys, Michael Stuhlbarg (olha ele de novo!) estão muito bem em seus respectivos personagens.

The Post é um daqueles filmes que engradecem discussões por ser extremamente bem feito em todas as esferas. Nas mãos erradas, essa excelente história poderia se tornar piegas.

Avaliação do Filme: 8/10

Até a próxima!

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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