Fio da Navalha – Realismo mágico em quadrinhos!

A curiosidade é um sentimento inerente à natureza humana e talvez por isso nós tenhamos certo apreço, por falta de palavra melhor, por teorias da conspiração, por mais malucas que possam parecer. Pois bem, imagine uma história que misture teorias da conspiração, o filme Onze Homens e Um Segredo, o quadrinho Planetary e viagens no tempo. Ficou curioso? Pois então você deveria ler O Fio da Navalha, quadrinho escrito por Francesco Dimitri e desenhado por Mario Alberti.

A sinopse da história é a seguinte: Um bando de gênios neuróticos. O planeta é seu parque de diversões. Ninguém sabe o que está em jogo. Pense em Leonardo da Vinci. Pense em Shakespeare, pense em Casanova, em Sherlock Holmes. Eles estão no limiar entre história e mito: alguns são reais, outros ficcionais, todos incríveis. Em todas as eras, são eles que vivem no fio da navalha, os que forçam as fronteiras da humanidade até seus limites. São cientistas, atletas, amantes, artistas, trapaceiros. Alguém está interessado neles. Uma empresa financeira, a Leviathan Corporation, lança um desafio para várias dessas pessoas impressionantes em todo o mundo. Uma competição gigantesca e secreta, com perigos reais. Só aqueles que vivem no fio da navalha poderão participar; só eles poderão saber que a competição existe. A disputa se chama Dodecatlo, como a saga mítica dos Doze Trabalhos de Hércules. Será composta de doze tarefas extremamente difíceis, e quem completar todas elas será o vencedor. A Leviathan não diz por que estão organizando o desafio. Só o vencedor saberá. É aqui que a História será escrita No Fio da Navalha.

Ficou confuso? Não precisa de assustar, a história reúne mesmo diversos elementos, mas é bastante fluída e irá te prender até o fim. Dimitri é hábil em construir o roteiro, deixando pequenas pistas na história que são importantíssimas para sua conclusão. Ele insere elementos fantásticos de forma orgânica durante a história, de forma a não causar estranhamento no leitor que vinha acompanhando até então uma história realista. Além disso, constrói personagens cativantes, cada qual com suas características próprias, que se tornam úteis de acordo com as necessidades apresentadas na trama.

Quanto à arte, faltam palavras para descrever o trabalho de Mario Alberti. O desenhista italiano apresenta uma arte magnífica, com muitos detalhes, cenários diversos e belíssimos, além de um design de páginas inusitados, construindo uma narrativa um pouco inusitada. O jogo de cores utilizados pelo artista também merece destaque, já que ajuda a criar o clima de diversas cenas, sejam elas mais sombrias ou iluminadas. O cara realmente é fora de série.

Por mais que a obra mereça diversos elogios, ela também possui pontos negativos, sendo o maior deles seu final. Obviamente não darei spoiler, mas acho que o roteirista perde um pouco a mão entre realismo e fantasia ao finalizar a história, trazendo uma solução rápida que contrasta com todo o cuidado que o roteiro teve até chegar àquele ponto. Mesmo com isso, o saldo geral é bastante positivo.

A edição da Mythos está excelente, o álbum tem um formato gigante, capa dura, papel de ótima qualidade e um trabalho editorial bastante competente, já que não encontrei nenhum erro durante a leitura. Como sempre digo, isso sempre deve ser elogiado visto que nosso mercado de quadrinhos tem grandes deficiências, principalmente no que se refere à revisão dos textos.

Fio da Navalha é um ótimo quadrinho se você procura uma leitura mais sofisticada. Garanto que você irá se surpreender com os diversos temas que a história aborda e apreciará cada momento. Que venham mais quadrinhos como esse.

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Ficha Técnica

Editora : Mythos
Ano de lançamento: 2018
Páginas: 212 páginas
Preço: R$129,90
Onde encontrar: Bancas, livrarias e lojas especializadas

 

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Lucas Araújo

Programador, estudante de TI e co-fundador do Justiça Geek. Fanático por quadrinhos, aficionado por filmes e séries, leitor faminto, gamer esporádico e músico (muito) frustrado. Gosta de falar sobre tudo isso em seu tempo livre(ou até mesmo quando não está tão livre...), debatendo questões essenciais para a humanidade como quem vence um crossover entre super- heróis, qual é seu escritor favorito e se um filme foi bem feito.