Game of Thrones: S07E03, The Queen’s Justice – Justiça agridoce, além do tão esperado encontro entre Gelo e Fogo

Salve, Justiceiros!

Como de costume, eis a resenha do último episódio disponível de Game of Thrones!

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Ainda dá tempo de ler antes do episódio de domingo, pra relembrar (ou entender) tudo que rolou nesse terceiro episódio!

Os textos dessa série serão postados simultaneamente no Cena Medieval, meu site sobre medievalismo. Se você curte esse tipo de coisa, passa lá pra conhecer também!

Vamos ao que interessa:

Não podemos chamar o roteiro atual da série de brilhante (como já ressaltei em resenhas anteriores, ele é bem simples), mas em um aspecto o roteiro desse terceiro episódio foi um dos melhores da série: ele conseguiu realmente surpreender.

O plano de Tyrion, anunciado no último episódio, parecia muito bom e fazia sentido demais pra simplesmente acontecer na tela sem nenhum imprevisto. E confesso que, mesmo vendo Euron capturando Ellaria e Yara no final do segundo episódio, eu não me toquei que isso significasse que de repente ele poderia saber de todo o plano de Daenerys, e por consequência passá-lo para Cersei, e o resultado final dessa situação foi a frustração dos Imaculados (parcialmente compartilhada por nós) de encontrar um Rochedo Casterly quase vazio, desguarnecido, e ainda ter seus navios queimados por um novo ataque surpresa dos homens de ferro.

E a surpresa foi completa ao ver as forças Lannister, ao som de uma versão orquestrada de Rains of Castamere (essa música sempre dá um arrepio), atacando Jardim de Cima, a sede da família Tyrell, que controla (ou controlava) a maior parte da produção de comida do reino, e portanto é uma das mais ricas. E mais: o ataque foi feito com o apoio das forças de Randyll Tarly, o principal vassalo dos Tyrell e um dos militares mais respeitados do reino. Um movimento bem pensado na guerra dos tronos, do qual até mesmo Tywin ficaria orgulhoso.

Você poderia pensar que Olenna Tyrell, rainha dos espinhos, ficaria abalada, mas a verdade é que ela teve a morte mais doce da série, por assim dizer, e o título do episódio se refere tanto ou mais a ela do que a Cersei. Olenna havia perdido, de uma vez, seu filho e seus dois preciosos e belos netos na implosão do Septo de Baelor, mas suas últimas palavras serviram para deixar Jaime e Cersei cientes de que ela (e não Tyrion) havia sido a responsável pela morte de Joffrey. Uma vingança servida gelada, mas tão amarga para os Lannister quanto foi doce para ela.

É quase cármico que, no mesmo episódio em que Cersei faz sua “Justiça de Rainha” com Ellaria, Ollena realiza a sua própria versão dessa justiça. A rainha dos espinhos jogou bem o jogo dos tronos, fez movimentos impressionantes ao longo da partida, e ao final perdeu, mas perdeu com mais dignidade do que qualquer jogador até o momento.

Não vemos Cersei recebendo a notícia (e talvez Jaime nem chegue a contar). No momento, a filha de Tywin ainda está no que talvez seja o ápice de sua vida como rainha estrategista. Ela colocou as forças de Dorne e da Campina de lado e ainda conseguiu prorrogar seu prazo com o Banco de Ferro de Braavos, num diálogo forte que mais uma vez deixaria Tywin orgulhoso. Nesse momento, a Cersei da série é impressionantemente mais inteligente do que a Cersei dos livros.

Ou seja, sem Dorne e a Campina, Dany perdeu (pelo menos temporariamente) seus dois principais aliados dentro de Westeros, e seus imaculados ficaram isolados no oeste do reino (o equivalente a “perca sua próxima jogada” no Jogo da Vida, mas isto é o Jogo dos Tronos, e as regras são um pouco mais cruéis).

Mas falando em Dany, finalmente fogo e gelo se encontram, finalmente a canção chega ao verso que lhe dá o título, após uma longa introdução e inúmeras estrofes, refrões e variações de melodia. No episódio em que esses dois finalmente se encontram, eu não esperaria nada menos do que o título “Ice and Fire”, mas a verdade é que o momento, por mais aguardado que tenha sido, foi obliterado por Cersei e Olenna.

Ainda assim, a conversa entre Dany e Jon foi inteligente e bem escrita, relembrando os encontros prévios de Starks que foram ao sul por convocações de Targaryens, e mais tarde chegando a um consenso ao menos sobre o vidro de dragão.

A parte não tão bem escrita é aquela em que Dany não acredita na ameaça iminente dos mortos, sendo que a própria história dela é cheia de magia e coisas sobrenaturais! Ela é imune a fogo, chocou três dragões, teve conflitos com feiticeiros e bruxas, teve visões proféticas. É tão difícil assim, nesse ambiente, acreditar nos Caminhantes Brancos e nos zumbis de gelo? Talvez, como Tyrion sugeriu, ela não queira acreditar, de tão focada que está em conquistar seu trono.

Num momento posterior os dois tem uma conversa mais particular em que Dany menciona que um dos dragões recebeu o nome em homenagem ao irmão dela, Rhaegar, que como nós sabemos agora é o pai de Jon. Ela ainda diz que “nós gostamos daquilo que somos bons fazendo”, e Jon diz que não gosta – uma clara conexão com Rhaegar, que era ótimo lutando, mas não gostava disso (esse fato já foi mencionado tanto nos livros quanto na série). E ainda em outros momentos o episódio faz brincadeiras semióticas com essa conexão, como quando ele disse a Tyrion que não era um Stark e um dos dragões passou voando pela cabeça deles.

Já a conversa entre Sansa e Bran não conseguiu ser tão interessante, e olha que tinha potencial. Os reecontros das crianças Stark deveriam ser alguns dos momentos mais emocionantes da série, e por mais que seja compreensível que Bran não esteja exatamente emocionado (sabemos que ele tem um papel mais importante a cumprir agora), foi tosca a forma como ele se dirigiu a ela e deu a entender que havia de alguma forma visto a cena do casamento (tanta coisa melhor pra falar, pra quem viu todas as merdas acontecendo). Entendemos que os produtores quiseram deixar um suspense no ar sobre Bran, mas a cena foi mal feita, infelizmente.

Reflexões no final do episódio:

– Se Dorne já estava apagado e mal representado na série, agora é que provavelmente não os veremos mais mesmo. É uma grande inconsistência, pois um reino inteiro não deixaria de participar do conflito simplesmente porque seu líder foi neutralizado, mas muitas coisas no roteiro da série acabam não fazendo muito sentido, quase sempre em nome da tal simplificação do roteiro.

– A cena em que Jon impede Davos de comentar sobre sua ressurreição me lembrou a inconsistência que está sendo ninguém dar muita bola pra esse que é talvez um dos fatos mais impressionantes do roteiro. A ressurreição dele quase não teve impacto na história, além do fato de permitir que ele saísse da patrulha da noite (afinal, os votos eram até a morte).

O título do próximo episódio é Os Espólios da Guerra, e sabemos de antemão que foi um dos episódios mais caros da série até agora. Provavelmente veremos uma batalha em campo aberto entre as forças Lannister e os Dothraki, que são no momento a principal arma de Daenerys, além dos dragões, obviamente.

Comente o que você achou desse terceiro episódio, e as suas expectativas para o próximo!

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Rafael Esteque

Advogado por formação, narrador por paixão, redator por vocação e músico por opção. Minhas anteninhas de vinil nunca funcionam. No 50º dia do meu nome, só espero que Gandalf me chame para uma aventura. Citação favorita: "In the game of thrones, a wizard is never late." Não, pera... ahn... "Do or do not. There is no Hakuna Matata." Não... ahn... Ok, vocês entenderam.