Indicados ao Oscar® 2019 – Parte 1

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Chegou aquela época do ano em que os cinéfilos ficam ensandecidos tentando adivinhar quem vai ganhar o principal prêmio do cinema. Ao contrário de 2018, onde os favoritos foram despontados desde cedo, esse ano temos pelo menos quatro filmes na disputa pelo prêmio de Melhor Filme. A categoria de atriz que começou tranquila, passou a ser mais acirrada. A de ator, poderá ser uma grande surpresa da noite. Com um ano tão embaralhado, contudo, com filmes mais medianos que no ano passado, o que nos resta é analisar os filmes indicados.

A Favorita (The Favourite), de Yorgos Lanthimos

Indicado a 10 estatuetas (Filme, Atriz, Atriz Coadjuvante (com duas atrizes), Roteiro Original, Design de Produção, Figurino, Direção, Fotografia e Montagem).

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Lanthimos é um dos meus diretores favoritos e, claro, como qualquer admirador, A Favorita estava sendo esperado com certa ansiedade e, ainda bem, as expectativas foram cumpridas. The Favourite merece todos os aplausos e elogios que vêm recebendo. O departamento de figurino, maquiagem e cenografia valem todos os bons comentários. Nicholas Hoult, entre os homens, veste um dos melhores figurinos. A direção de Lanthimos consegue intercalar bem os momentos mais “estranhos” com os mais engraçados e dramáticos, afinal todos os seus filmes são compostos por uma melancolia em suas entrelinhas. A opção por lentes fisheye remontam ao tempo ambientado com os espelhos “de canto”. Olivia Colman, Emma Stone e Rachel Weisz formam um trio irretocável. Mesmo que as duas últimas estejam indicadas em coadjuvante, todas tem seu protagonismo no momento certo. O já citado Hoult merece menção também.

Avaliação do Filme: 98/100

***

Bohemian Rhapsody, de Bryan Singer

Indicado a 5 estatuetas (Filme, Ator, Montagem, Edição de Som e Mixagem de Som).

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Falar sobre o Queen e Freddie Mercury é falar, acima de tudo, sobre talento. Uma pena que o filme não consiga fazer jus ao seu homenageado. O filme de Singer é problemático. Seja na forma que Freddie é retratado, seja na maneira que a homossexualidade é vista, na edição com cenas com mais de 40 cortes e absurdos, ou o problema da timeline, que coloca acontecimentos na ordem errada apenas para provocar o espectador. Bohemian Rhapsody tinha tudo para ser um filme excepcional, mas não consegue. Se há algo que realmente vale elogios é a recriação do Live Aid – impecável do ponto de vista técnico. Rami Malek consegue evocar a aura de Mercury, apesar dos dentes falsos chamarem atenção em quase todas as cenas. Interessante notar que a música que melhor define o filme faz parte de outro longa musical dessa temporada: Shallow (Raso).

Avaliação do Filme: 40/100

***

Green Book – O Guia (Green Book), de Peter Farrelly

Indicado a 5 estatuetas (Filme, Ator, Ator Coadjuvante, Roteiro Original e Montagem).

O filme de Peter Farrelly conta a história de Tony Vallelonga e Don Shirley – este último um pianista famoso que faz uma tour pelo sul dos Estados Unidos em uma época de segregação social. Um assunto tão importante como esse não deveria ser tratado de forma tão leve, como se o racismo tivesse sido (ou pudesse ser) resolvido em uma viagem de carro. Hollywood insiste em fazer filme sobre segregação racial na ótica do homem branco – roteiristas, diretor e produtores são brancos. Em um ano em que o excelente Blackkklansman foi lançado, esse filme soa datado e preconceituoso. Com um roteiro raso que insiste em repetir fatos ou “aliviar” o tema, o filme ainda peca pela direção simplista e fácil. Se há algo para se elogiar extensivamente é o trabalho de Mahershala Ali, comprovando ainda mais seu talento. Viggo Mortensen carrega uma atuação caricata, o que é desapontador visto que Mortensen já mostrou seu talento em filmes como Eastern Promises – seu melhor trabalho, na minha opinião. Green Book é uma viagem para trás em uma época que precisamos de viagens para frente.

Avaliação do Filme: 40/100

***

Inflitrado na Klan (BlacKKKlansman), de Spike Lee

Indicado a 6 estatuetas (Filme, Direção, Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Trilha Sonora, Montagem).

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O filme foi mencionado acima e poderia mencioná-lo sempre. Spike Lee é um dos maiores nomes do cinema. Faça a Coisa Certa uma das 100 maiores obras-primas do cinema. Em uma era em que a ignorância parece se tornar elogio e o racismo é reduzido a mimimi, um filme como esse é de extrema importância. Com toques críticos, Blackkklansman consegue falar sobre a ascenção da extrema-direita, racismo, nazismo e movimentos sociais com maestria. John David Washington (que deveria ser indicado a Melhor Ator) e Adam Driver formam uma boa parceria e a direção de Lee consegue trazer imensos significados em enquadramentos ou movimentos de câmera. É importante destacar, também, os últimos minutos, dando ao filme contornos ainda mais assustadores. Fazer cinema é, acima de tudo, fazer política. E Lee faz isso muito bem.

Avaliação do Filme: 92/100

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Na próxima parte, falarei sobre os outro quatro indicados.

Até mais!

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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