Ms. Marvel: Nada normal- Review

Com o advento da nova Marvel, a editora buscava renovar alguns de seus títulos e trazer um frescor de novas ideias. Pode-se afirmar que com a nova Ms. Marvel a editora acertou em cheio, é uma das melhores HQs lançadas nos últimos tempos!

Um breve resumo da história: Kamala Khan é uma adolescente muçulmana de New Jersey que subitamente adquire habilidades extraordinárias. Fã dos Vingadores (principalmente Carol Danvers, a atual Capitã Marvel), ela decide utilizar suas novas habilidades para fazer o bem. Porém ela descobre que essa não é uma tarefa tão fácil e tem que aprender a lidar com um pesado legado e com o impacto que suas novas habilidades terão em sua vida.

Antes de tecer meus comentários sobre a história em si, acho interessante falar um pouco da autora, G. Willow Wilson, já que o quadrinho apresenta alguns pontos que podem ser encarados como autobiográficos. Wilson também nasceu em New Jersey, em 1982, e é uma muçulmana convertida (mesmo ela dizendo ser uma muçulmana atípica) desde seus tempos de faculdade (ela é formada em História). Após sua formatura ela se mudou para o Cairo, capital do Egito, e foi a primeira mulher ocidental a entrevistar Ali Gomaa, o então Mufti (máxima autoridade do Islã) da República egípcia.

Todo esse background foi muito importante para a construção de Kamala Khan, fazendo que o fato de ela ser uma muçulmana, atípica como sua criadora, não fique parecendo gratuito e panfletário na história. É muito interessante ver que esta parte da personalidade da personagem é muito bem utilizada para demonstrar a construção de suas relações com as pessoas ao seu redor. Por exemplo, Kamala é apaixonada pela cultura norte-americana e não gosta de ser a “esquisita” que possui costumes diferentes de seus colegas na escola, sofrendo bullyng por causa disso e fazendo com que ela fique com raiva de alguns aspectos de sua religião.

G. Willow Wilson e Adrian Alphona, a equipe criativa da HQ

Um ponto que eu gostei bastante nas histórias é que elas remetem muito para o período inicial do Homem Aranha, quando o Peter era só um adolescente e tinha que encarar questões como “estou lutando contra o lagarto, mas tenho um encontro com a Gwen em 10 minutos” ou “ O Rhino está destruindo a Times Square mas tenho que voltar pra casa logo pra ajudar a tia May em alguns afazeres”. São situações que evocam problemas pesados e comuns ao mesmo tempo, que remetem a relações familiares que todos nós temos e isso nos faz criar uma empatia muito grande pela personagem.

E falando em família, a da Kamala tem forte participação na trama na figura de seu irmão e de seus pais. Sua mãe é uma religiosa mais conservadora e acredita que cada ação de sua filha que não condiz com sua religião é um ato de rebeldia adolescente que deve ser reprimido. Seu pai tenta dialogar mais com Kamala, mas não abre mão de que sua filha tenha uma educação que siga os preceitos do islã, assim como ele teve. Seu irmão é uma espécie de religioso fanático, porém no decorrer da história vamos descobrindo alguns motivos pra que ele seja tão apegado à religião.

O bom humor da história é demonstrado na relação de Kamala com seus amigos, como Bruno, que lhe ajuda no combate à criminosos, e Zoe, que na verdade tira sarro de Kamala de forma irônica e ela não consegue perceber isso. Também é engraçado ver como ela vai descobrindo seus poderes de forma inusitada e como a roteirista utiliza isso para fazer analogias com transformações que ocorrem na adolescência.

Com relação à arte, Adrian Alphona (que desenhou Fugitivos, escrito pelo Brian K. Vaughan) é bastante competente e seu traço combina muito com o clima da história. Um traço limpo, com certo ar de quadrinho independente e que acerta ao transpor certa leveza à história.

Este volume de Ms. Marvel ganhou diversos prêmios, como o Hugo Awards 2015 e neste ano ganhou o de melhor série no Festival Internacional de Angoulême(conceituadíssimo festival francês de quadrinhos).Além disso esse foi o segundo encadernado mais vendido da Marvel no ano passado,ficando atrás apenas de Guerra Civil. Com isso, é possível perceber que a HQ é um sucesso entre crítica e público.

Já havia algum tempo desde que eu havia lido uma HQ com uma vibe tão legal e despretensiosa quanto Ms Marvel. Recomendo fortemente que você vá atrás deste material e espero que a Panini dê prosseguimento aos encadernados, já que a série durou 27 edições lá fora. Se você já leu,deixe a sua opinião aí nos comentários, a troca de opiniões é sempre importante.Até a próxima!

Ficha técnica:

Editora: Marvel/Panini
Ano de lançamento: 2016
Páginas: 128
Preço: R$ 18,90 (capa cartonada) e R$ 26,90 (capa dura)
Onde encontrar: Livrarias, bancas de jornal e lojas especializadas

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Lucas Araújo

Programador, estudante de TI e co-fundador do Justiça Geek. Fanático por quadrinhos, aficionado por filmes e séries, leitor faminto, gamer esporádico e músico (muito) frustrado. Gosta de falar sobre tudo isso em seu tempo livre(ou até mesmo quando não está tão livre...), debatendo questões essenciais para a humanidade como quem vence um crossover entre super- heróis, qual é seu escritor favorito e se um filme foi bem feito.