OPINIÃO: 4 motivos para assistir “Mother!”

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Darren Aronofsky é conhecido por seus filmes mindblowing como o sufocante Requiém para um Sonho com Jared Leto, ou o forte O Lutador e, claro, uma das melhores produções dos últimos anos, o impressionante Cisne Negro. Todos esses filmes foram sucesso de crítica e de público. Quando mother! foi anunciado, todas as expectativas foram lá para cima. Seria um filme dele, protagonizado por uma das queridas de Hollywood, Jennifer Lawrence. E quando foi lançado, as opiniões do público se dividiram: alguns odiaram, outros amaram. O mais recente cartaz do filme usa os dois argumentos como forma de atrair o público. Eu faço parte das pessoas que AMARAM esse filme e quer voltar para o cinema e assistir novamente. Abaixo, listo quatro motivos (não necessariamente na ordem) que devem fazer você correr ao cinema e assistir.

Motivo 1: Roteiro

Assinado pelo próprio Darren Aronofsky, o roteiro traz a história de Mother (Jennifer Lawrence) – isso mesmo, os personagens não tem nome próprio. Ela reconstruiu a casa onde vive com Ele (Javier Bardem) e tem aquilo como seu santuário, seu paraíso com o marido. Ele, por sua vez, é um escritor com crise de criação (a tão temida “página branca”). Até que um dia, são surpreendidos com a visita de um casal: Homem (Ed Harris) e Mulher (Michelle Pfeiffer). O roteiro traz esses personagens e os apresentam através de pequenas ações do dia-a-dia – mas a tensão é instalada desde o primeiro instante. E esse sentimento que nos faz acompanhar cada movimento até culminar nos quarenta minutos finais (aproximadamente), que são simplesmente agoniantes e causam uma desestabilização completa no telespectador (sim, você poderá ficar com aquela cara de WHAT’S HAPPENING? por um bom tempo).

Caso você tenha assistido e não entendeu bem o que ocorreu no final, o parágrafo abaixo é para você.

Basta selecionar o texto para ler.

Como a própria sinopse define, Bardem é o Criador e Lawrence é a Mother. Porém, o criador não consegue fazer nada sem que haja uma inspiração e a Mother é a musa dele. Toda a trama perpassa por uma recriação da história bíblica. No final, podemos ver que após o Criador exibir sua obra, os homens começam a querer mais que isso e vemos, em um pequeno espaço, o homem guerreando ou buscando ganhar em cima da palavra do Poeta. “Ele diz para compartilhar!” ou “Por favor, Poeta, nos ajude!” comprovam ainda mais essa visão. Enquanto isso, Mother tenta o tempo todo evitar tudo aquilo – a imagem compassível de Maria. Quando vemos no final, tudo começando de novo, temos a certeza de que o Criador depende do amor de alguém para criar. A referência a criação do universo também está presente. Além disso, temos outras passagens bíblicas como a história de Caim e Abel. O último trabalho de Aronofsky, Noé, deve ter tido bastante influência na produção desse.

Enfim, tentei resumir alguns pensamentos sobre o filme… Mas, como qualquer filme do Aronofsky, nenhuma interpretação é correta (vide Cisne Negro).

Motivo 2: Elenco

Previsão: No Oscar, teremos apenas 4 vagas disponíveis na categoria de atuação. Afinal de contas, J-Law será indicada a Melhor Atriz; Bardem, a Melhor Ator; Harris, a Ator Coadjuvante e Michelle Pfeiffer a Atriz Coadjuvante. Esta última, traz uma performance baseada nos olhares e, nas falas que possui, consegue ser extremamente venenosa. Uma delícia para qualquer atriz e ela eleva a outro nível. Ed Harris mistura sentimentos com muita tranquilidade em qualquer cena. Nós nunca conseguimos saber bem o que ele pensa ou o que ele sente. Típico personagem intrigante.

Eu confesso que tenho medo do Bardem desde Onde os Fracos Não Tem Vez. Então, encará-lo novamente é algo difícil. É quase uma fobia (Alô Ryan Murphy, pode usar isso nessa temporada de American Horror Story). E é impressionante a força que ele tem em cena. Desde a sua primeira aparição até seu último close, tudo consegue nos prender a tela. Quando ele surge em cena, vem uma sensação de alívio com medo que só assistindo para saber. E, claro, Jennifer Lawrence, a musa do filme, tem um trabalho de voz, de movimentação que provoca uma leveza e incômodo ao mesmo tempo. Sem dúvidas, na minha opinião, a melhor atuação dela de toda a carreira.

Vocês perceberam que eu estou repetindo incômodo/desconforto quase o tempo todo, né? Então… Foi o que eu disse lá em cima: os que odiaram foi justamente por causa disso.

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Motivo 3: Design de Produção e Edição

Ué? Sério? 

Sim, muito sério. Uma boa porcentagem do filme não seria o que é se não fosse por causa do design de produção de Philip Messina. Para ser mais específico, pela criação do cenário onde o filme se passa. 99% do filme se passa dentro da casa (tem 1% que acontece fora, mas não cabe falarmos aqui) e, por isso mesmo, esse ambiente é revisitado cena a cena. Existe uma sensação de claustrofobia quase o tempo todo. A personagem se locomove pela casa e depara-se com uma parede, com uma porta… Parece que aquele ambiente nunca irá acabar. Nas cenas que acontecem no porão, parece que tudo piora ainda mais. Os resquícios de fogo estão em todos os lugares.

Já a Edição de Andrew Weisblum é outro ponto a se destacar. Esse é um filme em que a intenção é provocar agonia. Poderia fazer isso apenas com uma câmera parada e deixar os atores se encarregarem do sentimento. Mas o longa, além de usar os atores, utiliza os cortes para provocar o mesmo. Com a velocidade (principalmente no final) parecemos estar perdidos e focados ao passo que não estamos entendendo bem o que está acontecendo e entendendo…

Motivo 4: Direção

Eu poderia enumerar a lista de opções de direção que Aronofsky fez, mas gostaria de focar em apenas uma em especial – que é a mais visível no filme: os planos fechados. A opção por colocar a câmera bem próxima ao rosto de todos os personagens, além de nos aproximarmos ainda mais do sujeito, temos a sensação de claustrofobia mencionada acima. Ou seja, não bastava ter uma casa que causasse isso: ele traz closes que aumentam ainda mais a sensação. E ele ainda usa do recurso da câmera na mão, evidenciando a instabilidade. No ato final, a junção dessas duas características causa (isso mesmo!) incômodo. Inclusive, o ato final traz uma vibe Filhos da Esperança (outro filme espetacular!), mas com um propósito bem diferente.

Enfim, só temos que aplaudir e agradecer Darren Aronofsky por mais uma obra-prima.

Avaliação do Filme: 10/10 (porque não pode dar 11).

Confira o trailer:

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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