OPINIÃO: “A Autópsia” traz clichê bem realizado


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O gênero terror é aquele que sempre busca uma inovação com o passar do tempo. Temos filmes mais contemplativos que exaltam mais o terror psicológico, como A Bruxa; temos o que tenta reunir todos os gêneros juntos, caso de Invocação do Mal 2; ou aqueles que usam nosso medo real como formato, vide O Homem nas Trevas ou Quando as Luzes se Apagam. Mas algo que eles tem em comum é o fato de usar situações inexplicáveis para dar vazão à história que se pretende contar. A Autópsia (The Autopsy of Jane Doe, no original) resolve explorar a morte e para isso, passa seu filme inteiro dentro de um necrotério.

Para quem não gosta de mortos e vísceras, esse filme não é recomendado. Sério.

O longa-metragem dirigido por André Øvredal conta a história de Tommy (Brian Cox) e Austin (Emile Hirsch), pai e filho que trabalham no necrotério, até que o corpo de uma jovem desconhecida – a Jane Doe – aparece e eles começam a descobrir que aquela morta esconde muito mais. A premissa é ótima e os dois primeiros atos são ótimos, com uma crescente de tensão, movimentando nossa cabeça à mil por hora, montando supostas teorias para cada revelação que é feita. O roteiro de Ian Goldberg e Richard Naing traz um ritmo um pouco contemplativo, com jumpscares oportunos e não forçados. Claro que em muitos momentos eles derrapam no óbvio e entregam situações que nem precisariam acontecer. O terceiro ato traz uma revelação interessante, mesmo que um pouco esperada. E a forma como se desenvolve até o final é coerente.

Aqui cabe uma análise rápida.

— SPOILER ALERT —

Em determinado momento, Tommy diz ao filho que eles não eram investigadores, que a função deles era apenas descobrir a causa de morte. O resto era papel da polícia. Contudo, o filme mostra que eles eram verdadeiros investigadores. Em nenhum momento, o roteiro ficou reiterando esse fato. Ou seja, Goldberg e Naing não subestimaram seu público nem nessa situação, nem mesmo durante o resto da produção. Um ponto a se destacar.

Adendo: um sino nunca mais será a mesma coisa depois desse filme. Garanto.

— FIM DO SPOILER —

A direção de Øvredal é competente, usando a câmera como testemunha de tudo. Ele utiliza movimentos lentos, como forma de aumentar a suspense e abusa dos closes dos corpos e suas vísceras, como forma de nojo e pavor. Além disso, o design de produção é outro ponto a se destacar do filme. O necrotério é realmente assustador – seus corredores, a localização, o elevador e, claro, a sala principal. Nesta, as gavetas acabam tendo um destaque bem forte. Por vezes, nossos olhos se veem mirando para a segunda gaveta inferior. A trilha sonora, em alguns momentos, parece um pouco invasiva, mas não atrapalha o resultado final.

O filme se segura em três atuações: Emile Hirsch (o protagonista do ótimo Na Natureza Selvagem) consegue segurar bem as pontas, mas seu personagem não tem um grande impacto. Brian Cox é um destaque. O trabalho de um ator vai além dos diálogos, se passa nos olhos e ele faz isso muito bem. A relação de pai e filho que ele tem com Hirsch é ótima e crédula. Uma cena do terceiro ato, um diálogo no elevador, demonstra o talento de ambos. Olwen Kelly, a desconhecida, só precisa ficar com os olhos abertos e dá medo.

Mesmo tendo situações conhecidas e previsíveis, A Autópsia, é um entretimento competente e tem muito mais qualidades que defeitos. Vale a pena conferir na última sessão do dia.

Avaliação do Filme: 8/10

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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