OPINIÃO: “Invocação do Mal 2” é uma continuação que deu muito certo

Quando James Wan lançou o primeiro filme da franquia Invocação do Mal, em 2013, podia-se ter muitas desconfianças. Nos anos anteriores, os filmes de terror não eram bons – estavam mais para rir que para assustar. O filme fez um grande sucesso justamente por quebrar tudo isso. Tenso, inteligente e, realmente, assustador. Na última quinta, 09, Wan volta com Invocação do Mal 2 que, como o primeiro, é inspirado em uma história real. No novo filme, Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) voltam a lidar com poltergeists e o longa-metragem retrata um dos casos mais famosos do casal: O poltergeist de Enfield, em Londres. Janet Hodgson (Madison Wolfe) é uma garota de 11 anos que sofre com a possessão de um espírito e acaba transformando completamente a vida da família e dos vizinhos.

O filme começa com um resumo muito bem feito do mais famoso caso dos Warren, o de Amityville. Em contraponto, mostra-se a vida normal da família Hodgson antes dos eventos paranormais. Eis o primeiro destaque do roteiro de Carey e Chad Hayes, James Wan e David Johnson: a história intercala bem os dois pontos principais da trama, até o encontro no segundo ato do filme. Tal segundo ato é composto por momentos de terror, mas também drama e romance, ressaltando a importância da família. Esse retrato da família poderia cair como recurso piegas, mas coube bem no filme – com destaque para a cena onde o personagem de Wilson canta, traçando uma linha emocionante e tenra antes do terceiro ato e ápice da história. O roteiro é muito bem amarrado e mesmo as cenas finais caindo para o clichê, não há prejuízo algum. O filme segue a mesma linha desde o início. Os momentos assustadores, em boa parte, pecam pelo clichê, mas há os sustos genuínos e bem pensados. A tensão cobre o longa-metragem do início ao fim.

Gostaria de listar todas as ótimas cenas do filme, mas não darei spoiler. Merece ser assistido no cinema. 

Wan é um ótimo diretor e já provou isso em filmes como o primeiro da franquia e Jogos Mortais (2004). Ele abusa dos closes com os gritos assustadores, do plano aberto para o telespectador esperar o susto e de planos sequências que enchem os olhos. Neste filme não é diferente, todavia existe um apuro melhor e leva o espectador para dentro da casa de Enfield – aumentando o nível de tensão. Aliás, a direção de arte do filme merece todos os aplausos. A recriação dos cenários é perfeita. A trilha sonora incidental é muito bem utilizada, assim como músicas muito famosas na época. Somos brindados com Beatles e Elvis Presley em momentos inesperados e que ajudam bastante na construção da história. A edição e os efeitos especiais (principalmente!) merecem destaque.

Com relação aos atores, os destaques são muitos. Patrick Wilson está ótimo como Ed Warren e garante cenas bem interessantes. Mas, como no primeiro filme, o destaque é Vera Farmiga com uma composição familiar e, ao mesmo tempo, assustadora de Lorraine Warren. Farmiga sabe bem como tensionar o público. Outros destaques do elenco são Madison Wolfe, que consegue atingir o ápice em cenas difíceis, Simon McBurney, interpretando muito bem Maurice Grosse e Frances O’Connor, como a mãe Peggy Hodgson. 

O filme tem seus defeitos, é claro (algumas cenas forçadas e clichês), mas não prejudica o resultado final. Uma ótima pedida para o final de semana. Recomendo assistir na última sessão do dia. Invocação do Mal 2 já pode entrar na lista dos bons filmes de terror. Vale muito a pena!

P.S.: Como foi difícil escrever esse texto e não dar spoiler (hahaha!).

Avaliação do Filme: 8.5

Até a próxima, cinéfilos 😉

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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