OPINIÃO: “It: A Coisa” e a sensação de nostalgia

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I’m back e…

You’ll float too, you’ll float too, you’ll float too, YOU’LL FLOAT TOO!!!

It, livro do Stephen King, publicado em 1986, já havia sido adaptado em formato de minissérie de 2 episódios na década de 90 e trazia Tim Curry como a palhaço Pennywise. A produção se tornou um exemplo de terror cult e o palhaço, um símbolo. Quase 30 anos depois, o livro (que tem mais de 1000 páginas) se tornou um filme (também dividido em duas partes), mas dessa vez, temos o foco apenas nas crianças da pequena cidade de Derry, que passam a desaparecer misteriosamente. Uma delas é Georgie (Jackson Robert Scott) irmão de Bill (Jaeden Lieberher). A partir daí, Bill e seus amigos formam o “Clube dos Perdedores” (o próprio nome já diz tudo sobre seus componentes) e resolvem investigar a fundo o que está por trás de todo esse horror.

Um dos maiores méritos da história é justamente transformar Pennywise (Bill Skarsgard) em um ser que se transforma nos medos dessas crianças (o nome do livro não é It à toa). A primeira sequência é uma das mais conhecidas e já se tornou icônica por si só. A construção de toda a situação é assustadora e o diálogo traz uma aura ainda mais soturna. Após a apresentação dos créditos, o filme começa a apresentar as crianças protagonistas: Bill, Richie (Finn Wolfhard), Beverly (Sophia Lillis), Ben (Jeremy Ray Taylor), Eddie (Jack Dylan Grazer), Mike (Chosen Jacobs) e Stanley (Wyatt Oleff). E durante a primeira hora, conhecemos eles, seus medos e suas vidas. Bervely (cuja atriz é um clone da Amy Adams) tem uma das tramas mais pesadas do filme e durante algumas cenas é impossível não sentir-se incomodado. A partir da segunda hora, temos as cenas de confronto, culminando no ato final. Um roteiro bem dividido por Chase Palmer, Cary Fukunaga (True Detective) e Gary Dauberman (Annabelle e Annabelle Creation) e muito bem ambientado. A história varia muito bem entre o terror, o horror, a aventura e o romance. E, além disso, quase sempre depois de uma sequência assustadora, um dos personagens solta uma piada infame. Você ri no meio da sua tensão.

Quando me referi à “nostalgia” no título do texto, é justamente por causa da ambientação do filme. Tem aquela aura de Conta Comigo (também do Stephen King) e filmes da época. O clima anos 80 é muito bem capturado e até hoje persiste como no filme Super 8 e na série Stranger Things (que nada mais é que uma junção de todas as referências oitentistas). As músicas e referências da época estão presentes de alguma forma em todo o longa-metragem. E é esse respiro que dá aquela sensação de que já conhecemos os personagens e, obviamente, nos envolvemos com eles com uma maior facilidade.

Muito disso se deve ao ótimo design de produção e figurino. A reconstrução da época é perfeita e dá mais verossimilhança. Muito mais que isso: os cenários do esgoto e da mansão são ótimos exemplos de como construir um lugar que cause medo e repulsa. Corredores estreitos, pontos escondidos, etc, são exemplos.  E adicionamos o ótimo trabalho de fotografia de Chung-hoon Chung. Ao passo que temos uma iluminação ensolarada em várias cenas, em outras a falta da mesma iluminação traz o horror. O recurso da iluminação em metade do rosto é amplamente usado e sempre muito eficaz. Tudo isso sob o comando de Andy Muschietti, cuja direção é segura.

Eu só ficarei repetindo essa cena acima porque é uma das melhores do mundo! 

Chegamos agora a quem dá uma nova vida ao filme após tudo o que foi dito acima: o elenco. Se os adultos no filme representam ameças seja por sua presença excessiva ou sua completa ausência, as crianças tem uma a outra. E a escolha dos atores não poderia ser melhor. Finn Wolfhard, velho conhecido por Stranger Things, compõe um personagem divertidíssimo e é o completo oposto dele na série. Sophia Lillis (ou Amy Adams jovem) traz em sua personagem o solar e o tenso na mesma proporção (ótima!). Jaeden Lieberher também tem segurança ao comandar o grupo dos “perdedores”. Jeremy Ray Taylor e seu Ben é aquele personagem adorável que você cai por amores na primeira cena em que ele aparece e quase morre quando ele é colocado em risco. Jack Dylan Grazer compõe um Eddie maravilhoso e sua expressividade em todas as cenas acaba roubando a atenção para ele (particularmente, meu personagem favorito!). Chosen Jacobs e Wyatt Oleff encerram o time com uma atuação mais contida e muito disso por causa da história de seus personagens.

E, para finalizar, Bill Skarsgard se mostrou o maior acerto do filme. Seu Pennywise é assustador desde a primeira cena. O olhar estrábico e o sorriso, aliados à ótima maquiagem e composição corporal, transformaram o palhaço em um novo ícone. Não é à toa, que desde o lançamento do trailer, vários memes (eu amo a internet!) com seu rosto já começaram a surgir. Assim como Reagan McNeil do clássico O Exorcista (o qual já foi ultrapassado por It em bilheteria!), Annabelle, Freddy Krueger, Jason, Chucky e o primeiro Pennywise, o novo entrará para o hall dos personagens mais assustadores do cinema.

Se você não assistiu ao filme ainda, corra para os cinemas!

Avaliação do Filme: 9/10

Confira o trailer:

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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