OPINIÃO: Mel Gibson volta com seu estilo em “Até o Último Homem”

Indicado a 6 estatuetas do Oscar.

“Não sei como conviverei comigo mesmo se eu não permanecer fiel ao que acredito”.

Desde Coração Valente, Mel Gibson não é indicado ao Oscar. Motivo? Declarações machistas e acusação de agressão. Esse ano Hollywood resolveu “perdoá-lo” e trazê-lo de volta à premiação mais importante do cinema. E o filme não poderia ser mais ao estilo do diretor: misturando sanguinolência e religião. Em Até o Último Homem (Hacksaw Ridge, no título original), Desmond Doss (Andrew Garfield) é um jovem religioso que vai lutar na Segunda Guerra Mundial. Entretanto, ele não utiliza armas. Um tema interessante, entretanto o filme peca em alguns aspectos.

O roteiro de Robert Schenkkan e Andrew Knight é feito sob medida para um filme do gênero. O romance, os problemas familiares, o inimigo no batalhão, tiros e final heroico. Tudo isso pontuado por muitos diálogos imperativos. Os melhores momentos do texto estão nas cenas iniciais, que destacam a relação do protagonista com sua família e sua namorada e as de transição entre uma batalha e outra. É ali que conhecemos melhor Doss. A sequência da última batalha é um trunfo do roteiro para solidificar a posição heroica (e com mérito) desse homem que participou de uma guerra sangrenta e se destacou pela política pacifista. A grande felicidade do longa-metragem está no balanço: guerra x religião. Um dos mandamentos diz “não matarás”, mas porquê na guerra pode se matar livremente? E o “amar ao próximo como a ti mesmo”? Matar em prol de um bem pode? Matar sozinho ou matar em grupo “alivia” o peso do pecado? Perguntas levantadas pelo filme e respondidas sem um grande didatismo verborrágico – existe, mas consegue ser contornado em alguns momentos. Duas cenas em particular batem na mesma tecla, o que cansa.

Depois da primeira hora, onde conhecemos o personagem e suas relações, vamos direto para mais uma hora de pura batalha com direito a corpos em chamas, vísceras expostas e muita fumaça. Gibson é competente em sua direção, não podemos negar. Ele possui uma marca bem visível. O filme conta com belíssimos enquadramentos e uma transição tranquila de pontos de vista. No mais, todo o resto é o estilo acostumado do gênero: planos fechados e plano/contraplano. Nas sequências de guerra, o uso excessivo de slow motion acaba sendo exagerado e, às vezes, desnecessário. E, claro, conta com uma trilha sonora épica para dar dramaticidade. Impossível não ficar kitsch. A última cena, inclusive, é uma metáfora de todo o filme. Clichê, mas bem realizada. Falando em trilha sonora, a mixagem e edição de som são grandes destaques (o filme concorre nestas categorias e tem grandes chances de levar). Sensação de bala raspando no seu ouvido ou de uma explosão acontecendo ao seu lado? Tem sim. Muitas vezes. Durante pouco mais de uma hora.

Partindo para o elenco: Andrew Garfield dá humanidade e textura ao Doss em um trabalho que merece elogios pela sua entrega física. Ele é bem feliz em todas as suas cenas. Destaque para a cena do julgamento do personagem. Possivelmente, será a utilizada nos clipes do Oscar. Entretanto, não só ele se destaca. Dois nomes surgem ao lado: Hugo Weaving está impecável como Tom Doss, o pai de Desmond; e Vince Vaughn, como o Sargento Howell. Teresa Palmer, estrela de Quando as Luzes se Apagam, não compromete.

Enfim, Até o Último Homem é mais um filme de guerra com o estilo do Mel Gibson (quem lembra de A Paixão de Cristo?) que traz uma ótima discussão sobre guerra e religião. Não tenta inovar, mas é competente em seus aspectos técnicos.

Avaliação do Filme: 8/10

Até a próxima! 😉

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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