OPINIÃO: “Mulher-Maravilha” era o filme que a DC precisava

Resultado de imagem para wonder woman

Ano passado a Warner, levando o universo dos heróis da DC para o cinema, lançou duas das suas maiores apostas: os decepcionantes Batman vs. SupermanEsquadrão SuicidaE nos anos anteriores, lançou filmes de qualidade duvidosa. Ainda no fim de 2016, Mulher-Maravilha começou a surgir na lista dos filmes mais esperados para 2017 – e não era para menos: seria o primeiro filme da heroína. E junto a isso, a presença de Gal Gadot (a melhor coisa de Batman vs. Superman) – que foi criticada bastante quando foi escalada anos atrás – e da diretora Patty Jenkins (diretora do ótimo Monster, protagonizado por Charlize Theron). A expectativa estava lá em cima.

E, felizmente, foi atingida com louvor. Era o filme que a DC precisava, era o filme que nós precisávamos, era o filme que a indústria de super-heróis precisava!

Allan Heinberg é um nome conhecido dos fãs de Grey’s Anatomy, ScandalThe O.C. Aqui cabe uma confissão: alguns dos meus episódios favoritos dessas séries foram roteirizados por ele, ou seja, a expectativa que eu mencionei acima aumentou um pouco mais. Foi ótimo ver como ele conseguiu conduzir tão bem boa parte do filme. É um filme de origem, singelo, sem grandes truques, que conta a história de Diane Prince. E a forma como ele mostrou-a desde a infância até se tornar adulta foi simples e que nos fez conectar diretamente com a personagem e com todxs ao redor dela. A ilha de Themyscira e suas guerreiras amazonas foram bem apresentadas, sem pressa. E a história dos deuses, que poderia se tornar algo muito didático, foi contada como uma história para dormir (tem artifício mais fácil e bem executado?). A linha narrativa da personagem até sua descoberta no último ato foi bem trabalhada, assim como os momentos de humor. Piadinhas a todo tempo como nos filmes da Marvel? Não, não temos. Há momentos bem-humorados que cabem perfeitamente dentro da história, sem soar forçado em momento algum.

Mas nem tudo no roteiro são flores. Há dois pontos: os vilões, que ao contrário de TODOS OS OUTROS PERSONAGENS, são bidimensionais e forçados, criando uma reviravolta no final que nem chega a ser surpresa. Não há um aprofundamento do arco deles, deixando-os bem atrás. Claro que o filme não é sobre esses personagens e sim sobre Diana Prince, ou seja, não chega a ser uma grande falha. E o outro ponto é alguns minutos do ato final, que destoa do clima do restante do longa. O final é incrível e encerra a história com primor. E só um adendo: tão bom um roteiro que não nos faz ouvir linhas previsíveis e desnecessárias.

Resultado de imagem para patty jenkins wonder woman

Antes de tudo: Patty Jenkins, eu te amo! Sabe aquele clima sombrio presente em BVS? Não tem.

Ah, então é aquele clima mais solar dos filmes da Marvel, Montez?

Também não. Jenkins consegue criar um filme com um clima leve, de fantasia e ao mesmo tempo bem pé no chão. Seu trabalho nas cenas de ação (o que falar das cenas entre as amazonas?) é belíssimo e no restante do filme, ela apresenta um domínio da mise-en-scene que impressiona – destoando no final, como já disse anteriormente. Ela ainda conta com a ajuda de uma fotografia clara, que dispensa aquele clima confuso e escuro que foi o final de BVS. E não há o abuso do slow-motion, sendo usado em momentos pontuais. E o melhor: não há nenhuma sexualização feminina. Grande direção.

Resultado de imagem para wonder woman robin wright

Robin Wright (a nossa Claire Underwood de House of Cards) aparece durante o primeiro ato e deixa sua marca. Antiope é uma personagem complexa, que tem uma grande importância na trajetória de Diana. Connie Nielsen interpreta Hipólita e também está no tom perfeito para a personagem. Chris Pine anda apresentando bons trabalhos ultimamente, e esse é mais um. Muito à vontade em todas as cenas e sua parceira com Gal Gadot merece elogios. Completando o time, David Thewlis e Elena Anaya estão bem como os vilões.

Resultado de imagem para gal gadot wonder woman

Como já havia dito no início do texto, quando Gadot foi escalada anos atrás, houve uma chuva de crítica por ela ser uma atriz “inexperiente”. Quando BVS foi lançado ano passado, ela foi elogiada mais que qualquer outra coisa daquele filme. E em Mulher-Maravilha ela prova seu carisma e seu talento com muita tranquilidade, encantando em todas as cenas em que aparece. Mais que um trabalho onde a câmera gosta dela, todos nós gostamos dela. Com certeza, uma atriz ao nível da eterna Mulher-Maravilha interpretada por Lynda Carter. Suas nuances em cada descoberta da personagem, seja no momento mais emocionante ou no mais descontraído, Gadot traz uma identificação completa com o espectador.

E outro ponto a se destacar: representatividade. Um filme protagonizado por uma mulher, dirigido por uma mulher? Mulher-Maravilha que não cria barreiras entre gêneros e apresenta momentos incríveis. Um filme feminista. Um filme de origem. Uma heroína forte e cativante. É daquelas produções que você sai do cinema querendo voltar e assistir novamente. O primeiro filme da personagem, desde a sua criação lá na década de 1940, não poderia ser melhor. Um prazer assisti-lo do início ao fim.

Avaliação do Filme: 9/10

VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR:

The following two tabs change content below.

Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

Latest posts by Montez Olivero (see all)