Opinião: “Nasce Uma Estrela”

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“Eu não sabia que ela cantava tanto assim!”, foi o que disse uma senhora sobre Lady Gaga ao sair da sessão de Nasce uma Estrela. Já na quarta adaptação, A Star is Born (título original) é um filme que reflete sua época. Nos anos 70, Barbra Streisand interpretou a protagonista da versão. Agora, um dos maiores nomes do pop, Lady Gaga, teve sua chance. E ela aproveitou muito bem. E a trama do filme é bem simples. Jack (Bradley Cooper) é um cantor com problemas alcoólicos e com drogas, que conhece Ally (Lady Gaga), se apaixona, a faz cantar em um dos seus, alçando-a ao estrelato. Em meio ao sucesso, o relacionamento deles se desenvolve com seus pontos altos e baixos. Tendo um enredo tão clichê, o que faz essa versão boa? Dois motivos.

O primeiro deles: a trilha sonora. Gaga tem praticamente a estatueta do Oscar nas mãos. E pode ser por qualquer música. Shallow é o carro-chefe do filme, mas o álbum ainda nos presenteia com I’ll Never Love Again (que arrancou choros na sessão), Always Remember Us This Way, I Don’t Know What Love Is e uma versão de La Vie En Rose. Seja pelas letras belíssimas ou arranjos competentes, de fato cada música tem seu momento e cabe perfeitamente em cada cena.

E o segundo? Ela mesma: Lady Gaga. Surgindo no pop com suas músicas dançantes e seu visual criticado e adorado ao mesmo tempo, Gaga foi construindo uma carreira sólida e apostou, recentemente, em jazz e country e foi bem sucedida nos dois. O poder da sua voz é inquestionável. Ela já havia ganho um Globo de Ouro de atriz por seu trabalho em American Horror Story, mas é neste filme que ela realmente chama a atenção. Ally não é uma personagem fácil, entretanto ela dá conta do recado e é praticamente impossível tirar os olhos da tela nas cenas em que a diva pop está cantando ou atuando. Não descartaria um indicação a atriz na temporada de premiações. 

Bradley Cooper assumiu a cadeira de direção e não faz feio, apesar de alguns vícios e exagero de closes. Há também o excesso de flares (que são quando as luzes de estúdio tem sua luminosidade aumentada – muito comum em cenas de show ou em filmes de ficção-científica). Já como ator, Cooper é competente, tem seus momentos de brilho e emociona – principalmente no ato final. Apesar de problemas de edição (mais visíveis no começo) e alguns problemas no roteiro, A Star is Born é um filme que consegue engajar, emocionar e fazer rir em momentos pontuais. Acaba sendo melhor que a versão protagonizada por Barbra Streisand e é certeza nas premiações de 2019. Vale a pena assistir no cinema e procurar a trilha no Spotify – inclusive, não ouço outra coisa há duas semanas.

Avaliação do Filme: 78/100

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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  • Muito excelente. Eu particularmente não escuto Lady Gaga e tampouco via alguma expressão em B. C., mas eles trabalharam bem. Inegável. Cinema…cinema

    • E aí André, beleza?
      Valeu pelo comentário. O filme é bem legal mesmo e comprova que Lady Gaga é uma artista bastante versátil. Tomara que ele faça mais filmes.

      Abraço!