OPINIÃO: “O Homem nas Trevas” não soube a hora de acabar

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Lá vem esse menino falar novamente que os roteiristas não estão sabendo a hora de terminar um filme…

Em um ano intenso de produções de suspense e terror (Rua Cloverfield 10A Bruxa, Hush, Invocação do Mal 2, Águas RasasQuando as Luzes se Apagam, O Sono da Morte), O Homem nas Trevas (Don’t Breathe, título original) chegou aos cinemas prometendo deixar o público sem respirar (perdão pelo trocadilho). A trama é simples: três jovens assaltantes resolvem invadir a casa de um um veterano de guerra, cego e que havia perdido a filha. O que eles não esperavam é que esse Homem-Cego fosse custar tão caro a eles.

Vou inverter a ordem da qual sempre faço meus textos e começar pela melhor coisa do filme: a direção. Fede Alvarez consegue trazer toda a tensão do confinamento daquela casa. O desespero dos personagens é palpável. Seu uso da câmera, principalmente no plano-sequência de reconhecimento de cenário, é brilhante. Além de mostrar ao público os objetos que, porventura, possam vir a ser usados durante todo o longa-metragem, Alvarez evita os jumpscares. Ou seja, se ele consegue fazer uma direção tão boa com um roteiro tão mediano, imaginem com um roteiro bom em mãos. Merece grandes méritos.

Falando em roteiro, escrito pelo próprio Alvarez e por Rodo Sayagues, o mesmo consegue fazer o telespectador não respirar durante a primeira hora do filme. Apesar de algumas falas desnecessárias e que em nada contribuem para o avanço da história, os dois primeiros atos se consagram como uma ótima sequência de suspense (se igualando a um dos melhores do ano: Rua Cloverfield 10). Entretanto, os vinte minutos finais são um amontoado de situações descabíveis e sem propósito e que mais provocam riso que tensão. Uma pena. O Homem nas Trevas seguia para um final perfeito, redondo, entretanto jogou tudo fora. E ainda finaliza com um possível gancho para continuação. A pergunta que fica é: é mesmo necessário?

Bato novamente na tecla: os roteiristas não estão sabendo a hora de colocar um ponto final na história. Estão criando situações forçadas demais e que, em nada, contribuem (não mesmo!) para a história.

Quanto as atuações, Stephen Lang constrói um Homem-Cego que realmente amedronta. Ele faz uma ótima composição de voz e, aliado à direção, consegue fazer esse personagem crescer a cada ângulo em que ele aparece. Jane Levy também entrega uma boa atuação ao lado de Dylan Minnette e Daniel Zovatto. Esses últimos não se destacam, mas não prejudicam o desenvolvimento da trama.

Em suma, O Homem nas Trevas possui uma trama bem pensada e construída, que leva ao suspense tão anunciado nos trailers. Entretanto, o final entrega o filme para uma indústria cultural. Infelizmente. Tinha muita chance de se tornar um dos melhores filmes do gênero do ano, ao lado de Invocação do Mal 2 Rua Cloverfield 10.

Avaliação do Filme: 7.5

Até a próxima, cinéfilos 😉

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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