Opinião: “O Primeiro Homem”

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Em 1968, Stanley Kubrick lançou sua obra-prima 2001: Uma Odisseia no Espaço. No ano seguinte, Neil Armstrong pisou na lua. Quase 50 anos depois, esse momento que entrou na história ainda é muito discutido. Há quem diga que a chegada na lua foi gravada em estúdio pelo próprio Kubrick. Sem entrar nos detalhes de conspiração, o fato é que a chegada a lua levou os Estados Unidos a um outro patamar da corrida espacial em plena Guerra Fria. Na atualidade, Damien Chazelle já fez seu nome na história do cinema. Whiplash foi um filme que saiu com várias estatuetas do Oscar, levando os estúdios a investirem em La La Land – o musical arrasa-quarteirão. Agora, com o seu Oscar de melhor diretor e uma carreira já consolidada, o diretor de 33 anos resolve contar a história de Armstrong e seu pequeno passo na lua em O Primeiro Homem. As expectativas eram altas e foram correspondidas. Chazelle entrega mais uma obra que pode entrar no hall de grandes filmes da história.

Nós já sabemos como a história termina, mas o diretor dá uma profundidade ao Neil “astronauta”. Conhecemos a vida íntima dele e sua relação com sua esposa, e seus filhos. Depois de uma perda traumática, Neil (Ryan Gosling) é escolhido para participar do projeto Gemini, que levará astronautas para a Lua dali a alguns anos. Em meio a perdas e introspecções, chegamos no clímax da História e do filme. E após um trabalho cuidadoso de ambientação, Chazelle entrega outra sequência final de entrar para a história do cinema.

Captando tudo com a câmera próxima ao rosto, o diretor consegue nos levar para dentro da vida de Armstrong. A opção pela câmera subjetiva (aquela em que nós somos os olhos dos personagens) em muitos momentos é um dos maiores destaques. A esse espetáculo visual, acrescenta-se a dinâmica e contemplativa edição de Tom Cross (parceiro habitual de Chazelle). Usando como referência alguns planos que lembram o já citado 2001, a fotografia de Linus Sandgren é outro ponto alto do longa. O filme se compromete em alguns momentos escorrendo para o melodramático, algo que não é comum durante toda a projeção. Juntando ao pacote, temos a trilha incidental de Justin Hurwitz – do mesmo grupinho de sempre. Após ser consagrado em La La Land, Hurwitz entrega sua melhor trilha. É arrepiante, emocionante e mesmo assim não é invasiva – algo que parece ser cada vez comum nos filmes. Os efeitos visuais também merecem menção.

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Chegando às atuações, Ryan Gosling é um ator que vira e mexe acaba sendo criticado por ser inexpressivo, mas aqui ele carrega o filme com muita competência. Claro que todo o destaque fica por conta do apuro técnico, mas ele – principalmente no ápice narrativo – emociona. Existem duas cenas em particular que ele mostra que não é esse ator “ruim” como muitos dizem. Claire Foy (a eterna Rainha Elizabeth de The Crown), intérprete da esposa de Neil, tem poucas cenas, mas é chamada coadjuvante de peso. Se ela for indicada, será uma grande merecedora da estatueta.

First Man é garantido na temporada de premiações. Desenho de som, mixagem de som, trilha sonora original, efeitos, ator, diretor, filme, edição, fotografia… Chazelle e equipe vêm com tudo para conseguir mais alguns homens dourados. Ah, e uma dica: quem puder, assista em IMAX. A cena da chegada a lua é uma das melhores e maiores sensações que um cinéfilo pode ter. Vale a pena cada segundo.

Avaliação do Filme: 91/100

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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