OPINIÃO: “Quando as Luzes se Apagam” tem seus bons momentos

Em 2013, David F. Sandberg lança o curta-metragem Lights Out e faz um grande sucesso que rende a ele prêmios. Esse ano, uma versão estendida de Lights Out (Quando as Luzes se Apagam, título traduzido) é lançado no cinema com a promessa de dar o mesmo medo e sustos do curta. E realmente consegue aterrorizar e criar uma tensão do tipo: “Nunca mais vou apagar as luzes” ou “Quem agora tem medo do escuro? Eu”. O longa-metragem traz a história de Martin (Gabriel Bateman) e Rebecca (Teresa Palmer) são irmãos que tiveram uma experiência semelhante na infância: sua mãe, Sophie (Maria Bello) parecia conversar com algo ou alguém: Diana (Alicia Vela-Bailey).

Existem alguns filmes que funcionam apenas como curta-metragens. Outros, só como longa-metragem. Existem casos de que pode-se inchar um pouco e transformar um curta em longa. Quando as Luzes se Apagam consegue inchar bem roteiro, apesar de alguns momentos parecerem bem forçados – a explicação didática de Diana prejudica um pouco, por exemplo. Entretanto, quando a trama parte para um terror mais psicológico, o filme ganha uma forma muito interessante e o clima tenso aumenta gradualmente até a sequência final, que merece méritos.

O fato do filme brincar com o escuro traz momentos interessantes e nos faz pensar que até ficar com algum ponto de luz é praticamente impossível. Nesse momento, destaco um personagem extremamente esperto: Bret (vocês saberão o porquê). O final desponta para o previsível, mas não prejudica o todo. Esse é um filme que sabe exatamente a hora de acabar. Alguns roteiristas poderiam aprender esse detalhe.

A direção de David F. Sandberg é segura e demonstra um domínio sobre seus personagens e seus atores. A Diana é, realmente, aterrorizante. Na sequência final, Sandberg consegue construir uma tensão com inteligência e planos que fogem do normal dos filmes de terror. Claro, tem todos aqueles planos abertos com o personagem no canto para esperarmos o susto, mas existem alguns momentos que o medo surge e o telespectador não espera. A cena de abertura do filme é semelhante à do curta-metragem, mas com um novo teor e construída de forma inteligente tanto pela direção quanto pelo roteiro.

Em relação aos atores, destacam-se boa parte deles. Teresa Palmer inicia o filme um pouco tímida, mas no segundo ato ela consegue tomar rédeas de sua personagem e consegue desenvolver a tensão pedida. Gabriel Bateman é ótimo e se destaca nas cenas em que ele é mais pedido. Maria Bello cria uma Sophie dúbia e com o desequilíbrio mental evidente. Vela-Bailey traz uma Diana aterrorizante – dá medo mesmo. Alexander DiPersia, que interpreta o Bret, além de ser um personagem não-burro dos filmes de terror, tem bons momentos, mas ainda assim fica aquém do restante do elenco.

Em suma, Quando as Luzes se Apagam é um bom entretenimento e consegue criar uma atmosfera tensa, com personagens apresentados didaticamente – creio que podem criar um spin-off. Vale a pena dar uma conferida no escuro do cinema.

Avaliação do Filme: 7.5

Até a próxima 😉

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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