OPINIÃO: Remake de “Mártires” é decepcionante

Em 2008, a França lançou um dos melhores filmes de terror/suspense dos últimos anos, Mártires. Quase dez anos depois, o cinema americano resolve produzir um remake. O filme foi lançado na última quinta-feira, 05. Sabendo da trama e da qualidade do longa francês, não poderia esperar-se algo do mesmo nível no remake, mas nem tão pouco algo ruim. Houve um ledo engano. O remake americano de Mártires consegue ser bem ruim, salvando-se apenas alguns detalhes, que listarei nos próximos dois parágrafos.

Os diretores Kevin e Michael Goetz conseguem segurar a leve tensão do filme durante boa parte do tempo e, no meio do filme, onde o roteiro cai bastante, a direção tem o mérito de conseguir atenuar a falta da trama e deixar o espectador ainda sentado na cadeira do cinema por mais meia-hora. Alguns enquadramentos também são belíssimos. Destaco um, ainda nos primeiros minutos, onde determinada personagem havia acabado de fazer uma vítima e encolheu-se na cama, deixando o sangue escorrer pelo chão. Talvez essa cena seja a única melhor que a do filme original. A direção de fotografia de Sean O’Dea também é competente e isso fica evidente no contraste entre os dois tempos em que se passa a história.

A trilha sonora de Evan Goldman é uma das maiores notoriedades do filme. Apesar de ser usada, algumas vezes, em excesso, ela contribui para se criar o clima tenso e fanático que o longa se propõe a discutir. Outro ponto é para a edição, que conseguiu deixar o filme ágil e interessante. Logo, pode-se chegar a conclusão de que os detalhes técnicos acabaram suportando uma trama falha, esburacada e didática.

O filme francês tem cenas de extrema – e quando eu digo extrema, eu digo EXTREMA – violência e cria-se uma atmosfera tão tensa e desconfortável em volta dos personagens que o público não consegue ficar parado na cadeira. O longa americano cria uma atmosfera mais lúdica, enquanto o francês aposta na visceralidade e no realismo/naturalismo.  O roteiro do Mártires original é muito bem construído e, em nenhum momento, deixa a qualidade cair. O mesmo não acontece no remake. Há uma necessidade de, a cada momento, explicar algo ou bater na mesma tecla duas vezes. O final segue a linha didática do filme e tira qualquer dúvida que o espectador possa ter. Apesar da abertura ser boa (e igual ao longa-metragem original), o filme deve bastante em relação ao desenvolvimento. Mesmo com apenas 86 minutos, o roteiro de Mark L. Smith se arrasta na metade, enchendo linguiça, para haver uma grande virada (e completamente diferente do francês) nos vinte minutos finais.

As atuações não prejudicam a condução da história e duas atrizes se destacam essencialmente: a protagonista Lucie, interpretada por Troian Bellisario, cuja performance é visceral e dolorida. E a sempre ótima Kate Burton – conhecida pelo público das séries – que, com sua interpretação minimalista, faz uma personagem odiosa e fanática na medida certa. Bailey Noble, que interpreta a Anna, é bem inferior às atrizes citadas anteriormente e acaba sucumbindo quando está em cena com elas. E o roteiro não ajuda a personagem que no filme original tem uma função muito mais forte que nesta versão.

Enfim, Mártires (2016) é um filme que poderia se equipar ao seu original, porém uma junção de equívocos acabou atrapalhando. Uma das grandes decepções do ano.

Avaliação do Filme: 4.5

Até a próxima, cinéfilos! 🙂

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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