Opinião: “Roma”

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2018 foi um ótimo ano para o cinema em qualquer país. Brasil, Coreia, Polônia, Estados Unidos… Todos eles produziram filmes que, com certeza, ficarão na memória de quem assistiu e na história do cinema. A memória é bem seletiva, é verdade, mas existem momentos na vida que a gente guarda e sabe que em algum momento poderá voltar tudo novamente. Memória traz sentimento e o que somos nós sem sentimento? E é possível saber quando um filme tem sentimento ao assistir. E essa palavra permeou meu pensamento enquanto eu assistia ao novo lançamento da Netflix, Roma. Sou bem crítico da Netflix pela forma que eles jogam os filmes sem qualquer publicidade ou até mesmo como eles tratam seus próprios lançamentos. Se Roma não tivesse ganho o Leão de Ouro ou se consagrado como o grande filme do ano, talvez eles fizessem o mesmo com o novo longa-metragem do Alfonso Cuarón.

Cuarón é um diretor incrível (um de seus primeiros trabalhos, Y Tu Mama También é um dos meus cinco favoritos da vida). Responsável por obras como Harry Potter e o Prisioneiro de AzkabanFilhos da EsperançaGravidade, ele volta esse ano com um filme que o remete a sua infância no México dos anos 70. Contando a história de Cleo, uma empregada doméstica, ele investiga os pensamentos, sentimentos, verdades e mentiras dos personagens que rodeiam a história. Se você espera grandes momentos e reviravoltas, pode voltar. Aqui o que interessa são as pequenas ações da vida dessas mulheres, a simplicidade da vida e a humanidade dos personagens.

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Com um roteiro simples, ele aprofunda no estudo da protagonista. Como acompanhamos tudo do ponto de vista dela, tudo o que vemos são meias-palavras, histórias pegas pela metade, mas que sem qualquer esforço ou didatismo conta tudo o que precisamos saber sobre aquele núcleo familiar. O roteiro ainda conta com uma cena extremamente forte em seu segundo ato, da qual você permanece lembrando até o último avião passar no céu. Com sutis (mas fortes) críticas sociais e políticas, Cuarón nos leva para o ambiente do México em 1970. E por seus personagens serem reais, é impossível não lembrar de algum parente ou até mesmo de você – seja nascido no século passado ou nesse. O longa consegue ser extremante intimista, mas com tons épicos. Roma é a vida pura e guerreira, estranha e amorosa, violenta ou carinhosa.

O diretor usa a câmera como uma panorâmica, sempre parada, mas passeando pelos cenários, seguindo as cenas sem corte, trazendo o telespectador para dentro dos ambientes. Algo muito comum é o diretor usar super movimentações de câmera para mostrar o seu talento, já Cuarón não faz isso. Diferentemente de seu conterrâneo Alejandro Iñarritu, que mesmo sendo bom, parece querer aparecer em frente às câmeras, ele emplaca belas imagens e que ficam na mente, sem precisar se esforçar. E se você acha que estou repetindo demais o nome do Cuarón, não estranhe. Além de roteirista, diretor e produtor do filme, ele também fez a direção de fotografia e a edição, provando ser um dos mais prolíficos na atualidade. A fotografia em preto e branco, por sinal, fala por si só nas fotos que ilustram esse texto.

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Mas o que seria dele sem o seu elenco? Com vários coadjuvantes fascinantes, todo o foco fica em Cleo, sua protagonista. Yalitza Aparicio surge em cena com atitudes pequenas e vai crescendo à medida que a projeção avança, culminando na cena já mencionada acima, onde sua emoção se agiganta. Um close nela fala mais do que qualquer linha de diálogo. Em um ano em que tivemos grandes atuações de Glenn Close (The Wife), Toni Collette (Hereditário), Joanna Kulig (Cold War) e Lady Gaga (A Star is Born), Aparicio surge como uma estrela e tem grandes chances de levar o Oscar caso seja indicada.

Com sua simplicidade e beleza, Roma ganhou buzz e se firmou como o melhor e principal filme do ano merecidamente. É sublime. Queria poder fazer um texto analisando enquadramentos, diálogos e opções estéticas, mas isso pode ficar para depois. Primeiro, abra a Netflix e vá assistir ao filmeDepois comente aqui o que você achou. Vale a pena.

Avaliação do Filme: 100/100

Até a próxima!

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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