OPINIÃO: Roteiro é o maior defeito de “A Garota do Livro”

Emily VanCamp em cena de “A Garota do Livro”

Um dos ditados mais conhecidos é: “Não julgue um livro pela capa”. Essa mesma teoria pode ser aplicada ao filme protagonizado por Emily VanCamp (a Emily Thorne em the Revenge ou Agent 13 de Capitão América: Guerra Civil) e dirigido/roteirizado pela estreante Marya Cohn. O trailer e os cartazes vendem uma trama promissora. A história contada é simples: VanCamp interpreta Alice, uma editora de livros de Nova York que se vê de cara com o passado ao ter que relançar o livro de Milan Daneker (Michael Nyqvist), escritor que mudou a vida da protagonista anos antes. Talvez, por ser simples, a história não pareça tão promissora como disse anteriormente, porém a trama pode dar muito pano para a manga. Eis o ponto: pode. O filme fica apenas no “pode”.

Cohn coloca em jogo os moinhos do coração da personagem central, tentando evocar uma reflexão psicológica. Sua tentativa é boa e tem momentos interessantes, rendendo boas reflexões à Alice e evidenciando a complexidade com a qual a roteirista tentou moldar sua personagem. Algumas cenas colocam em discussão o relacionamento abusivo e o papel feminino, mas superficialmente. O filme perde-se bastante em meio aos flashbacks da adolescência da protagonista e acaba criando um mistério desnecessário e previsível. Quando se tem a revelação tão esperada, a frustração não poderia ser maior. Além disso, cria-se uma trama romântica paralela com toques de romance adolescente que é coroada com um final extramente clichê (o último take do filme não poderia ser pior escolhido). A história se encerra da mesma forma que começou: morna e sem um grande clímax.

O que consegue disfarçar tais furos do roteiro é a direção com toques documentaristas e/ou amadores, que aproxima o telespectador do desconforto da personagem ao deparar-se com o homem que destruiu sua juventude. Em algumas cenas os planos são equivocados ou fogem de um padrão cinematográfico – o que acaba não sendo algo ruim, já que o cinema serve justamente para a quebra de alguns paradigmas. Entretanto a direção de Cohn segue o mesmo ritmo do roteiro, sendo apenas boa e previsível. A fotografia é bem executada, assim como a direção de arte e figurino. A edição ajuda na construção, mas nada que haja um destaque.

As atuações são seguras. Emily VanCamp é uma boa atriz, mas a personagem ficaria mais cheia de nuances em uma atriz com mais experiência, talvez. Ela não prejudica o filme mas, em alguns momentos, seus olhares e seus gestos lembram bastante a Amanda Clarke/ Emily Thorne de Revenge. Nyqvist segura muito bem seu personagem misterioso e asqueroso ao mesmo tempo sendo, talvez, o melhor ator do filme. Ali Ahn é a típica personagem-orelha (mais um defeito do roteiro) e não tem muito o que fazer para a construção de sua personagem. David Call vai bem como o Emmett mas, assim como toda a estrutura do filme, não passa de algo monótono.

A Garota do Livro é o típico filme que tem um grande storyline nas mãos, mas o roteiro não consegue se desenvolver a altura. Vale dar uma conferida para se discutir alguns temas que o longa-metragem levanta. Mas apenas isso. O que é uma pena.

Avaliação do Filme: 6.5

Até a próxima, cinéfilos 😉

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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