OPINIÃO: Você precisa contemplar “A Chegada”!

Indicado a 8 estatuetas do Oscar.

Após assistir A Chegada (Arrival, título original) por quatro vezes chego a um ponto de não aguentar mais dizer o quanto é esse filme é genial!

Dennis Villeneuve tem uma longa história nos cinemas. Seus filmes de suspense e mindblowing foram conquistando público e fãs (sou um, não nego) ao longo dos anos e ele volta trazendo uma das melhores histórias sci-fi dos últimos tempos. Inspirado no livro “História da sua vida” de Ted Chiang, A Chegada traz a linguista Louise Banks (Amy Adams), que é chamada para traduzir os sons ou expressões ditas por alienígenas que chegaram na terra em uma “concha” e se espalharam por doze localidades. Ao lado dela está o físico-matemático Ian Donnely (Jeremy Renner). Ao chegar lá, depara-se com uma linguagem completamente nova e nem um pouco semelhante. O que eles dizem? Qual o propósito deles na terra?

O longa começa com uma bela sequência de seis minutos mostrando uma dolorida passagem da vida de Banks. Encontramos, depois, a personagem sendo chamada para o trabalho e tentando codificar as mensagens. O roteiro é, na minha opinião, um dos melhores adaptados do ano passado. Eric Heisserer faz um belíssimo trabalho de construção e ainda consegue transmitir muitas mensagens com algumas passagens. O medo é um dos principais sentimentos explorados: medo da morte, medo do desconhecido, medo da ameaça. Louise mostra que a comunicação, a palavra, é algo que nos leva a outra dimensão, a novos conhecimentos. O filme nada mais é que uma ode à união, a conversa entre diversos povos. Um filme sobre memória e amor (principalmente), tolerância e paz – quer momento mais propício para esse desenvolvimento?

O trabalho de Heisserer é tão bom que ele consegue, com maestria, contrapor diversos momentos da vida de Louise com o que ela vive “agora” e transformar completamente o significado dos seis minutos iniciais com os seis minutos finais. A memória é diferente do tempo em que vivemos. E não fica só nisso: durante os diálogos, temos o truque de “pista e recompensa” muito bem executado. Ao ler o roteiro do filme, você fica ainda mais maravilhado. Não posso falar mais para evitar spoilers.

Uma opinião (extremamente) pessoal: em alguns aspectos acho o filme bem melhor que o livro. Entretanto, outras partes muito interessantes foram deixadas de lado. Uma pena, mas não prejudica.

Chegando ao trabalho de Villeneuve, encontramos uma direção pontual. Ele usa a câmera muito bem através de travellings lentos, como se quisesse nos levar pouco a pouco para dentro dos cenários. Destaque para a cena da primeira visita de Banks à “concha”. Além disso, ele traz a câmera como personagem, criando a mesma atmosfera da personagem de Adams. No helicóptero, por exemplo, escutamos o mesmo que ela, até que o som fica abafado no momento em que ela coloca os fones. Quando ela se aproxima dos alienígenas, tudo parece se perder em dimensão. O trabalho do diretor não envolve apenas a mise-em-scene. Cinema é imagem e elas falam – ainda mais em um filme como esse. Toda a composição cênica é criada a partir do conceito de Villeneuve e as “conchas”, assim como os aliens, são uma metáfora. Permaneço usando o a palavra concha entre aspas, pois não a vejo dessa forma.

Uma rápida análise imagética: percebam que a “concha” se assemelha bastante uma lente de contato. Logo, associando ao tema de descoberta do filme, leva-se a pensar que a comunicação nada mais é que uma lente que nos leva a enxergar melhor e, quem sabe, entender melhor os outros que estão ao nosso redor. Indo mais além, a comunicação é nossa forma de contato que se perde no tempo (seja na linearidade ou não-linearidade dele).

Voltando ao texto de opinião, o filme ganha ainda mais com a sensível atuação de Amy Adams (infelizmente esnobada pelo Oscar desse ano). Seus olhos, sempre expressivos, transmitem exatamente os sentimentos daquela mulher tão misteriosa e fascinante. Se fosse para selecionar uma selecionar uma cena de destaque, sem dúvidas, a sequência final. Jeremy Renner, Forest Whitaker e Michael Stuhlbarg não possuem o mesmo peso cênico, mas colaboram bastante para a grandiosidade do filme.

Nesse ano, quatro filmes despontam como os meus favoritos. A Chegada está entre eles. Impossível não terminar e ficar pensando e criando teorias. De uma coisa tenho certeza: terminando de escrever esse texto, irei assistir mais uma vez.

Avaliação do Filme: 10/10

Até a próxima! 😉

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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  • Skald Rafael Rígrson

    Preciso ver esse filme!

    • Lucas Araújo

      Esse foi o único filme do Oscar que eu vi até agora e achei muito bom. Denis Villeneuve está apresentando um trabalho consistente nos últimos anos.