Recomendação da Semana – Elektra Vive

Bem-vindos a mais uma Recomendação da Semana, a coluna na qual recomendamos livros, HQs, filmes, séries e álbuns que achamos interessantes. Hoje a indicação é uma interessante mistura entre experimento narrativo, surrealismo e o amor de um homem solitário feita por um dos maiores nomes dos quadrinhos de todos os tempos. A recomendação de hoje é Elektra Vive, escrita e desenhada por Frank Miller e com cores de Lynn Varley.

Miller é conhecido por ter produzido grandes marcos das histórias em quadrinhos, como Cavaleiro das Trevas (sobre o qual comentei AQUI, no melhor texto desse humilde site em minha opinião), Sin City, 300, entre outros. Ele também é conhecido como um dos pais do Demolidor, já que ele teve uma fase aclamadíssima na revista do personagem, estabelecendo e aprofundando todos os aspectos que conhecemos do personagem hoje em dia: o Catolicismo, a representação gráfica de seu radar, Rei do Crime e Mercenário como antagonistas, sua relação com coadjuvantes como Ben Urich, Karen Page e Foggy Nelson e, é claro, a criação da ninja e maior amor da vida de Matt Murdock: Elektra Natchios.

A morte de Elektra provavelmente é uma das mais icônicas quando falamos de quadrinhos de super-heróis, algo que continua sendo relevante ao Demolidor até os dias de hoje. Em Elektra Vive, Miller procura explorar os efeitos da morte da personagem na vida de Matt Murdock ao mesmo tempo em que procura insinuar que a ninja voltou à vida. Mesmo com seus sentidos apurados Matt não tem certeza de que aquilo é real, de que o cheiro que ele sente, as mãos que o tocam e a voz que ele ouve realmente pertencem à sua amada. Será tudo uma alucinação gerada pelo intenso desejo que ele tem de que sua amada ainda esteja viva?

Esses são questionamentos que Miller também impõe ao leitor, de maneira muito hábil, apresentando um total controle da narrativa. Por falar nesse aspecto, Miller demonstra os motivos para ser considerado um dos mestres em contar uma história em quadrinhos, construindo quadros belíssimos, fluídos e que vão se tornando cada vez mais surreais a medida que o protagonista vai perdendo a noção da realidade. Ele sabe muito bem como usar o espaço negativo da página e transmitir todos os sentimentos necessários ao leitor, claro que com ajuda das ótimas cores de Lynn Varley, parceira do artista em diversos de seus trabalhos mais consagrados. Também é muito interessante ver Miller arte-finalizando seu trabalho, mostrando um traço mais solto e estilizado.

A história foi publicada pelo selo Epic da Marvel, uma iniciativa editorial dos anos 80 que tinha como ideia produzir histórias mais maduras (não vou usar o ridículo termo “gibi adulto”) para um público mais velho. Este foi o selo responsável por obras como Moonshadow, Dreadstar, a publicação americana de Akira, entre outros. A liberdade editorial, numa linha que parece ter influenciado a Vertigo, é bastante visível no trabalho.

A edição da Panini está muito bonita, respeitando a publicação original num formato gigante, muito semelhante ao de um encarte de vinil e em capa dura. A revisão do texto também segue a qualidade, o que sabemos ser igualmente importante ao acabamento gráfico do produto.

Elektra Vive é um dos últimos grandes trabalhos de Miller, mostrando o autor experimentando e demonstrando todo seu talento como quadrinista. Ler a fase do autor na revista do Demolidor ajuda a ampliar a experiência, mas não é necessária para compreensão da obra. É sempre muito bom apreciar um grande trabalho de Frank Miller.

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Ficha Técnica

Editora : Panini
Ano de lançamento: 2017
Páginas: 80
Preço: R$45,00
Onde encontrar: Livrarias e lojas especializadas

 

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Lucas Araújo

Programador, estudante de TI e co-fundador do Justiça Geek. Fanático por quadrinhos, aficionado por filmes e séries, leitor faminto, gamer esporádico e músico (muito) frustrado. Gosta de falar sobre tudo isso em seu tempo livre(ou até mesmo quando não está tão livre...), debatendo questões essenciais para a humanidade como quem vence um crossover entre super- heróis, qual é seu escritor favorito e se um filme foi bem feito.