Recomendação da Semana: Interestelar

Salve, Justiceiros!

Voltamos com a nossa coluna “Recomendação da semana”, na qual colaboradores do Justiça Geek se revezam para sugerir algo interessante que tenham consumido, seja uma HQ, um livro, filme, uma série, um jogo e etc. E a recomendação dessa semana é o filme Interestelar. Sabem por quê? Duas palavras pra vocês: ondas gravitacionais.

A comunidade científica está alvoroçada. Os dados divulgados na semana passada são provavelmente a descoberta mais importante para a ciência nas últimas centenas de anos, e eu tenho certeza que a maior parte dos nossos leitores, nerds que são, estão acompanhando essas maravilhosas novidades.

No dia 14 de setembro do ano passado, o LIGO – Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory (que em português seria algo como Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser) fez a primeira detecção direta de ondas gravitacionais. Os resultados dessa experiência foram publicados no dia 11 de fevereiro de 2016 (quinta-feira da semana passada) e não apenas constituem mais uma confirmação da Teoria da Relatividade Geral de Einstein, proposta em 1915, como também abrem um campo novo de estudo da astrofísica e inúmeras implicações.

Um universo de possibilidades se abre à medida que entendemos melhor o próprio universo.

(ficou poético, né? Se forem reproduzir a frase, pelo menos citem meu nome hahahaha)

Detector do projeto LIGO em Hanford – um dos dois detectores gêmeos que foram utilizados para comprovar a existência das ondas gravitacionais

Basicamente, ondas gravitacionais são a distorção no espaço-tempo. Os cientistas puderam comprovar a sua existência através da variação no comprimento de gigantescos túneis que são atravessados por lasers. Se o laser registra um comprimento maior ou menor do túnel num determinado momento, quer dizer que uma onda gravitacional alterou o espaço-tempo. Em outras palavras, a gravidade afeta o espaço, esticando ou comprimindo, e fazendo com que a luz atravesse uma distância maior ou menor.

Complicado, não?

Mas há anos a nossa amada ficção científica já vem brincando com conceitos tão complexos quanto esse. Apenas para citar dois célebres exemplos, não dá pra imaginar Star Trek sem a Dobra Espacial (Warp Drive, no inglês original), ou Star Wars sem as viagens pelo hiperespaço.

Por isso, a indicação do Justiça Geek para vocês nesta semana é o filme Interestelar.

Trata-se de uma produção lançada no final de 2014, dirigida por Christopher Nolan e escrita por ele em conjunto com o irmão, Jonathan Nolan.

Os irmãos Christopher e Jonathan Nolan, responsáveis pelo roteiro de Interestelar

Embora seja um lançamento do final do ano retrasado, vale muito a pena trazê-lo à tona agora à luz da recente divulgação da detecção de ondas gravitacionais. Não posso falar muito sem dar spoilers, mas o conceito de onda gravitacional é algo importante para a trama, e a relatividade geral é basicamente o que define o que se passa no filme. Segundo Einstein e sua Teoria Geral da Relatividade, que citamos acima, o espaço e o tempo não são absolutos e podem ser deformados, criando a força que sentimos e chamamos de gravidade. Essas deformações no espaço-tempo constituem o mote principal do filme.

Como história de ficção científica, Interestelar é uma obra-prima. O roteiro aborda estes conceitos de física, que são bastante complexos, sem subestimar a inteligência dos espectadores. Devido a isso, acaba sendo um filme denso que exige bastante atenção. Procure assistir num momento em que estiver bem disposto.

O elenco conta com Anne Hathaway e Michael Cane, que são parte daquela patotinha sensacional que vem trabalhando com Nolan em diversos filmes, além de Matt Damon e Matthew Mcconaughey (este último no papel principal).

Michael Caine, Anne Hathaway e Matthew Mcconaughey

Fora isso, o filme também conta com efeitos especiais impressionantes. O mais relevante, de longe, é a representação de Gargantua, o buraco negro fictício do roteiro, da forma mais realista já feita. Isto porque até então os buracos negros haviam sido representados como achatados discos de acreção (estruturas formadas por materiais difusos em movimento orbital ao redor de um corpo central); em Interestelar, o buraco negro é apresentado como uma esfera, e a deformação do espaço forma uma lente gravitacional que desvia a luz ao redor do buraco, algo inédito no cinema ou qualquer outro tipo de mídia.

Gargantula, o buraco negro de Interestelar

Resumindo, assistir Interestelar pode te dar uma luz sobre esse tema de ondas gravitacionais, ou pode te deixar com mais dúvidas ainda. Nos dois casos, consideramos que vale muito a pena.

Se você ainda não viu Interestelar, veja! E mesmo que você já tenha visto, certamente vale uma segunda sessão, frente às recentes divulgações científicas – com certeza você verá o filme com outros olhos.

Para mais recomendações de filmes, livros, HQs ou games, acompanhem o Justiça Geek: toda sexta uma ótima dica pra você.

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Rafael Esteque

Advogado por formação, narrador por paixão, redator por vocação e músico por opção. Minhas anteninhas de vinil nunca funcionam. No 50º dia do meu nome, só espero que Gandalf me chame para uma aventura. Citação favorita: "In the game of thrones, a wizard is never late." Não, pera... ahn... "Do or do not. There is no Hakuna Matata." Não... ahn... Ok, vocês entenderam.