Série “A Torre Negra”: uma análise nada especializada.

Salve, salve, Justiceiros de plantão.

Como muitos sabem, sou colaborador dedicado à coluna Games aqui do Justiça Geek e por isso o título escolhido para essa análise, que nada mais é do que a visão de um leitor comum, que busca apenas entretenimento.

Agradeço aos fundadores pela confiança. Lucas e Ricardo não só toparam na hora, como me incentivaram a escrever sobre o que o próprio autor da série, Stephen King, considera como sua obra mais audaciosa.

E realmente trata-se de uma obra muito audaciosa. São mais de 4000 páginas, divididas em 7 livros, que contam a história do último pistoleiro, Roland Deschain, em sua busca pela Torre Negra. O destino do Mundo Médio e de todos os outros mundos dependem inteiramente do sucesso do pistoleiro em alcançar seu objetivo.

Durante suas aventuras, Roland encontra novos parceiros e forma-se um novo ka-tet (aqueles que compartilham de um mesmo destino), que enfrentará o próprio tempo numa longa caminhada por regiões desoladas, cheia de criaturas perigosas e inimigos inusitados.

A série levou 20 anos para ser concluída; aumentamos para 30 se considerarmos que o primeiro livro, lançado em 1982, é uma compilação de publicações para a revista de ficção científica The Magazine of Fantasy & Science Fiction a partir de 1970.

Apenas como referência, segue abaixo a relação dos livros e os respectivos anos de publicação:

  • O Pistoleiro (1982)
  • A Escolha dos Três (1987)
  • As Terras Devastadas (1991)
  • Mago e Vidro (1997)
  • Lobos de Calla (2003)
  • Canção de Susannah (2004)
  • A Torre Negra (2004)

Outra curiosidade: Stephen King sofreu um acidente grave em 1999, quando ainda restavam 3 livros para conclusão da série e por pouco não finaliza seu projeto (imagine o drama dos fãs que acompanharam a saga na época, aguardando o lançamento de cada novo volume). King acabou transportando essa horrível experiência para dentro de seus livros, misturando ficção e realidade, (sim, King é personagem de seu próprio livro) resultando num evento significativo dentro da trama de “A torre Negra”.

Considero King um ótimo contador de histórias. Ele mesmo em suas notas o considera assim. O grande problema ao meu ver está em como o autor aproveita mal o que poderiam ser momentos épicos para essa longa jornada do pistoleiro, seu ka-tet e o próprio leitor.

Ele consegue envolver o leitor no contexto, gera expectativas, e cria situações que na imaginação do leitor, por exemplo, resultariam em uma batalha de grande proporção ou um confronto tão aguardado com aquele inimigo fodão e te brinda com um desfecho murcho e sem sal, talvez até banal. Esse é um problema que se repete em outros livros do autor, infelizmente.

Stephen King defende-se sobre esse assunto fazendo mais ou menos a seguinte questão: Você é o leitor afortunado que se importa mais com a viagem em si ou o pobre que se importa apenas com o destino?

A torre Negra nos entrega uma história interessante, contendo elementos de faroeste, ficção científica e magia. Está repleta de referências à cultura pop, outras de suas obras e personagens e como já citei, acontecimentos reais de sua vida.

A série consegue inserir o leitor em um universo próprio, embora não tão elaborado e detalhado quanto em Senhor dos Anéis ou As crônicas de gelo e fogo. Ponto para King, que embora tenha Tolkien como inspiração, assume que falharia miseravelmente caso tentasse criar um mundo como o que foi criado para as aventuras de Bilbo, Frodo, Gandalf e companhia.

Os personagens na minha percepção são rasos e mal utilizados, mas no geral, pelo menos os principais, conseguiram minha empatia.

Numa história tão extensa, é normal que se tenha altos e baixos. E é o que acontece com essa série. Percebe-se nitidamente que a história se perde em diversos momentos. Algumas notas do autor e trechos do próprio livro fazem menção a isso e mesmo que colocados como parte da ficção, refletem a indecisão do autor em relação ao rumo da história e dos personagens.

Dentro da série, alguns livros são mais envolventes que outros e é interessante acompanhar o próprio desenvolvimento de King como escritor ao longo dos anos.

Não cabe a mim atribuir uma nota ou recomendar a leitura de “A Torre Negra”. Como disse no início do texto, essa é uma análise pessoal que achei por bem compartilhar com vocês Justiceiros antes de iniciarem ou não essa aventura junto ao pistoleiro Roland.

Caso resolvam embarcar, preparem-se para horas e mais horas de estrada com o último dos pistoleiros e seu ka-tet. O máximo que posso prometer é que  vocês serão agraciados com duas possibilidade de final. Vocês curtem a viagem ou estão mais preocupados em chegar ao destino?

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Rodrigo Borges

Analista de Qualidade de Software e gamer sem "ismos".

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