Novos X-Men – A revolução mutante de Grant Morrison!

No início dos anos 2000, após uma série de eventos e sagas que levaram esses personagens ao seu auge de popularidade mas também causaram um certo cansaço nos leitores, Grant Morrison assumiu a principal revista dos X-Men com o objetivo de revitalizar o título e novamente atrair a atenção dos leitores. O que o escritor escocês fez na verdade foi uma verdadeira revolução que marcou a revista dos mutantes para sempre.

Morrison propôs uma série de mudanças profundas para a equipe mais popular da Marvel, a revista foi renomeada para Novos X-Men, os uniformes coloridos foram substituídos por trajes de couro (aludindo ao recém lançado filme de Bryan Singer) e até mesmo o logotipo da série foi alterado, para algo mais moderno e com certo aspecto mágico, como disse o próprio escritor.

Claro que as mudanças não eram apenas estéticas, já que também abrangiam o escopo das histórias. Já no primeiro arco, o famigerado E de Extinção, ao lado de seu fiel escudeiro Frank Quitely, Morrison traz o foco para a luta evolucionária entre humanos e mutantes em uma história que se inicia com o genocídio de 16 milhões de mutantes, incluindo o maior antagonista dos X-Men, Magneto, pelas ações de Cassandra Nova, a irmã maligna de Charles Xavier criada pela dupla criativa para ser uma espécie de deturpação do sonho de seu irmão sobre a integração entre humanos e mutantes. Tudo isso apresentando num arrojo visual deslumbrante, modernizando não só a forma com a qual os X-Men enfrentam seus problemas, mas também trazendo a narrativa dos quadrinhos dos personagens para o novo século que se iniciava.

Conforme a história vai avançando, Morrison apresenta novos personagens e constrói uma cultura mutante que contempla moda, formas de arte como música e pintura e até mesmo uma droga própria, Porrada, que está corroendo a juventude mutante. Juventude essa inclusive que habita os corredores da escola Xavier, justificando a palavra escola já que durante muito tempo apenas os membros dos X-Men à frequentavam. Agora tudo é muito vivo e pulsante, os alunos aprendem sobre diversas áreas de conhecimento humano e mutante, mas não são apenas seguidores do sonho de Xavier, já que muitos começam a questionar a abordagem do líder mutante sobre sua causa, o que acaba trazendo reflexões muito interessantes não só para os próprios personagens quanto para os leitores.

É tudo muito cool e diferente do que a Marvel costumava fazer, Morrison propôs e cumpriu o que prometeu ao entregar as histórias mais marcantes desses personagens desde que Chris Claremont deixou o título, a cada novo arco você fica interessado em saber o que vai acontecer e quais as novas questões que ele irá trazer. É facilmente uma das melhores fases que os X-Men tiveram e poderia ser considerada uma das melhores revistas que a Marvel já publicou.

Entretanto, a série sofre com problemas, alguns inerentes ao modelo de publicação das séries de super-heróis. Nem sempre Morrison está acompanhado de um artista do nível de Frank Quitely, seu frequente parceiro e que consegue imprimir a moderna narrativa que o roteirista propôs para os X-Men com uma composição de página dinâmica e um traço característico. Quitely não consegue seguir o ritmo da publicação devido à esse esmero, então muitas vezes o quadrinho é desenhado por artistas mais ordinários que tiram um pouco de seu impacto (e nem estou me referindo à Igor Kordey, que era chamado às pressas para cumprir os prazos da revista e acabava apresentando um trabalho abaixo da crítica). Há também o famigerado plot twist envolvendo Xorn e Magneto que parece ter sido pensado de forma muito abrupta, invalidando até mesmo alguns acontecimentos anteriores e descaracterizando de maneira agressiva o maior vilão da equipe mutante, que acaba se tornando um extremista movido à drogas que não se relaciona de forma alguma ao que vinha sendo construído até então (até mesmo na própria fase Morrison), num misto entre o que parece ser uma visão equivocada e intervenção editorial. Além disso, o último arco que se passa no futuro parece ter sido colocado às pressas, dando a impressão de que o autor tinha muito mais a contar antes de chegar a esse ponto.

Mesmo com essas questões, Os Novos X-Men de Grant Morrison é uma leitura indispensável não só para os fãs dos mutantes, mas para aqueles que apreciam uma boa história de super-herói, um quadrinho que apresentou muito do que seria feito na indústria a partir daquele momento, que modernizou os personagens e que trouxe um frescor e impacto que os mutantes nunca mais tiveram. A Panini já publicou essa fase por aqui em diversos formatos, então não deve ser muito difícil de encontrar. Essa é uma prova de que quando Morrison está afim, ele é um dos melhores autores que essa indústria já viu.

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Lucas Araújo

Programador, estudante de TI e co-fundador do Justiça Geek. Fanático por quadrinhos, aficionado por filmes e séries, leitor faminto, gamer esporádico e músico (muito) frustrado. Gosta de falar sobre tudo isso em seu tempo livre(ou até mesmo quando não está tão livre...), debatendo questões essenciais para a humanidade como quem vence um crossover entre super- heróis, qual é seu escritor favorito e se um filme foi bem feito.