Quando li o primeiro volume de Imortal Hulk, lá no longínquo ano de 2019, comentei por aqui como a série tinha um início muito impactante e prometia ser um dos grandes quadrinhos de super-heróis do século XXI. Por questões da vida acabei não lendo o restante da série naquele período, mas comprei todos os volumes publicados pela Panini e os guardei na estante para uma futura maratona de leitura quando chegasse o momento propício. Recentemente esse momento chegou e fiz um verdadeiro mergulho no trabalho de Al Ewing, Joe Bennett (ao lado de alguns outros artistas) e Paul Mounts, lendo os 11 volumes em sequência e posso afirmar sem sombra de dúvidas: Esse é um dos quadrinhos mais interessantes já publicados pela Marvel.
A série inicia com uma espécie de voltas às origens, bastante calcada no terror na qual o Hulk aparece somente durante à noite e resolve casos que vão desde o assassinato de uma garotinha até experimentos de um cientista fissurado com radiação gama, enquanto Bruce Banner tem que lidar com o drama clássico de O Médico e O Monstros que é intrinseco ao surgimento do personagem.
Ao longo das edições, Ewing expande o escopo das histórias que irão abordar as questões psicológicas envolvendo a relação Banner e Hulk referenciando o trabalho de Peter David, o mais proeminente escritor do personagem, mas incluindo pitadas de Terror Sobrenatural, Horror Cósmico e crítica social que fazem com que o escritor consiga prestar homenagem a tudo que já foi feito com o personagem, mas também trazer um frescor que torna esse um quadrinho bem único.

A referência ao trabalho de Alan Moore no Monstro do Pântano é evidente, sendo possível traçar alguns paralelos não só com relação à trama (o experimento narrativo feito na história dos aliens sem gênero remete demais ao que o barbudo de Northampton fez na jornada do Monstro pelo espaço), mas também na relação entre alguns personagens, sendo a mais clara pra mim a entre Hulk e seu pai e entre o Monstro e Anton Arcane. Entretanto, isso está longe de ser um demérito, mas sim um exemplo de que Ewing tem ótimas referências e bagagem de quadrinhos.
O desenvolvimento dos personagens é um dos grandes atrativos da série, tanto com relação à Banner e todos os seus traumas e desafios, como também a de vários coadjuvantes como Betty Ross, Doc Samson e a repórter Jacqueline McGee, criada para esse quadrinho e que em alguns momentos se torna uma espécie de protagonista das tramas. E a forma com a qual Ewing lida com todos os personagens enquanto aumenta o escopo das histórias e supera alguns dos limites impostos aos quadrinhos de super-heróis, inclusive discutindo sobre o que é ser um herói,é algo que somente um grande escritor poderia fazer.
A despeito de toda polêmica que teve início durante a publicação de Imortal Hulk e que o fez trabalhar com algumas pessoas que representam o que há de pior no quadrinho norte-americano, Joe Bennett entregou o trabalho mais relevante de sua carreira aqui. referenciando os desenhistas que publicaram em revistas clássicas de terror como a Eerrie e a Creepy, assim como filmes clássicos do gênero, por exemplo, O Enigma de Outro Mundo do mestre John Carpenter, e apresentando uma estética Lovecraftiana, o artista apresentou algo que foge bastante do que é comumente visto em um quadrinho desse tipo. O leitor é mantido em constante anseio a cada edição para ver qual o tipo de criatura bizarra Bennett irá inserir nas histórias e como ele irá compor as páginas. As capas de Alex Ross, que infelizmente não estão presentes em toda a série, são a cereja do bolo na estética do quadrinho. Há alguns outros artistas que funcionam como tapa buracos, mas que não apresentam um trabalho que impacte tanto quanto esses dois mencionados.

A Panini publicou a série por aqui em 11 volumes de capa cartonada, sendo os 50 números regulares publicados nos primeiros 10 e o último reunindo uma série de especiais, que eu diria se tratar de um completo caça níquel se não fosse pela história da dupla Jeff Lemire e Michael Del Mundo, chamada de O Local da Debulha, muito bela e sensível, uma verdadeira pérola escondida. O problema é que já fazem alguns anos que esses encadernados foram publicados, o que torna a tarefa de adquiri-los um pouco mais difícil.
O Imortal Hulk entra na categoria de clássico da Marvel, ao lado de coisas como O Quarteto Fantástico de Lee e Kirby, Homem-Aranha de Lee, Ditko e Romita, Thor de Walter Simonson, O Demolidor de Frank Miller, o próprio Hulk de Peter David, X-Men de Claremont e Byrne, entre outros. Ao retornar o personagem para suas origens e estudar com profundidade a sua psique e a de seus mais famosos coadjuvantes, Al Ewing criou um dos quadrinhos de super-herói mais impactantes do século XXI. Não importa como você o faça, simplesmente leia Imortal Hulk, será uma das melhores coisas a fazer com seu tempo, acredite.
Ficha Técnica
Editora: Panini
Tradução: Leo “Kitsune” Camargo
Ano de lançamento: 2019
Volumes: 11
Lucas Araújo
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