Yoshihiro Togashi é uma verdadeira lenda dos quadrinhos japoneses, um dos grandes nomes do mangá shounen com obras do calibre de Yu Yu Hakusho, que fez parte da trindade que sustentou a Jump nos anos 90 que era composta também por Dragon Ball e Slam Dunk, e Hunter x Hunter, ele ficou famoso por obras que misturavam humor, muita porradaria e conceitos complexos e criativos. Autores japoneses são bem mais discretos, o que torna um pouco mais difícil saber sobre seu processo criativo, mas felizmente no caso de Togashi um dos assistentes que trabalhou ele em algumas de suas obras resolveu contar como foi sua experiência ao lado do autor, detalhando como era sua relação com outros assistentes e como ele lidava com a popularidade de seus trabalhos e como os concebia. Foi assim que nasceu Sensei Hakusho, obra escrita e desenhada por Kunio Ajino.
Nesse quadrinho, Ajino narra com humor e honestidade suas experiências nos bastidores da indústria dos mangás, especialmente o período em que trabalhou no estúdio de Togashi durante a produção de Yu Yu Hakusho. Mais do que um simples relato profissional, Sensei Hakusho revela o lado humano e caótico da criação de um sucesso do mangá, abordando prazos insanos, rotina exaustiva e a personalidade reservada — e por vezes excêntrica — de Togashi.
É interessante ver como Ajino mostra alguns detalhes da indústria de mangá, como funciona o trabalho de um assistente até que ele consiga a oportunidade de também publicar sua própria obra, como editores trabalham junto aos autores para a criação ou direcionamento de um mangá e como a rotina de trabalho pode ser bastante exaustiva, muitas vezes cobrando a saúde dos autores, algo que é amplamente conhecido principalmente quando se trata de Togashi, que há anos vem sofrendo com problemas de coluna que o impedem de manter uma publicação mais assídua de Hunter x Hunter.
O próprio autor menciona que os relatos podem não ser muito precisos, já que ele está contando tudo através da memória e que são mais impressões da época do que fatos, mas Ajino deixa claro que tem grande admiração por Togashi e a persona que ele apresenta de seu mestre é divertida, bem-humorada, viciado em videogame, sempre disposto a ensinar seus assistentes e alguém que dava seu máximo para finalizar seus trabalhos. Só é curioso que Ajino menciona que não teve mais contato com Togashi desde o fim de sua parceria, há quase 30 anos, mas isso pode ser um traço de como os japoneses lidam em suas relações, não criando fortes laços de amizade no ambiente profissional.
A arte de Ajino é cartunesca e sem muitos detalhes, mas ele sabe como fazer um bom trabalho de expressões que em alguns momentos resultam em cenas engraçadas. Narrativamente ele é bem tradicional, sem grandes arrojos visuais, mas num geral seu trabalho artístico funciona perfeitamente para a história que ele quer contar.
A edição da JBC possui capa cartonada com orelhas e papel lux cream. Com relação aos extras, há um posfácio do autor no qual ele comenta como foi o processo de produção da obra e como conseguiu publicá-la, dando ainda mais detalhes sobre como funciona o mercado de quadrinhos no Japão.
Sensei Hakusho é uma boa leitura não só para aqueles que são fãs de Yoshiro Togashi e querem saber como eram os bastidores de seu trabalho em seu auge, mas para aqueles que se interessam sobre como funciona o mercado de quadrinhos no Japão. Seria bem legal se outros assistentes de grandes autores também produzissem obras desse tipo, um prato cheio de informações para os fãs.
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Ficha Técnica
Editora: JBC
Tradução: Natália Rosa
Ano de lançamento: 2024
Páginas: 232
Preço: R$64,90
Lucas Araújo
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