Ed Brubaker é um especialista em histórias criminais (não à toa, sua série mais famosa, Criminal, remete a isso), o melhor roteirista que a indústria de quadrinhos tem quando se fala nesse tipo de trama, e seus trabalhos ganham ainda mais brilho quando está acompanhado de seu parceiro de longa data, o artista Sean Phillips. Em Fatale a dupla se alia aos coloristas Dave Stewart, uma verdadeira lenda nesse quesito, e Elizabeth Breitweiser, que já está habituada a colaborar com eles, para apresentar uma interessante mistura de suas brilhantes histórias criminais com clima noir e pitadas de terror.
Esta é uma série de quadrinhos que mistura noir policial com horror lovecraftiano. A história gira em torno de Josephine, uma mulher misteriosa com o poder de seduzir qualquer homem — uma habilidade que parece mais maldição do que dom. Conforme diferentes personagens cruzam seu caminho ao longo de décadas, eles se veem enredados em conspirações sombrias, cultos ocultistas e horrores sobrenaturais. Com uma narrativa não linear e atmosfera densa, Fatale explora temas como destino, obsessão e os limites do controle humano diante do inexplicável.
Pode parecer um pouco chover no molhado dizer isso, mas Brubaker é um roteirista brilhante, sabe como prender o leitor a cada virada de página ao apresentar uma história que sempre mantém o interesse ao apresentar mistérios em uma trama intrincada, que eventualmente são solucionados e que com isso trazem grande satisfação ao final leitura. Impressiona sua versatilidade ao misturar o clima noir dos anos 50 e 60 com a rebeldia dos anos 70 na Nova Hollywood e a revolução Grunge dos anos 90, sempre mantendo seu estilo clássico de histórias policiais e adicionando os elementos lovecraftianos que trazem um certo respiro a história, mostrando que ele não é um artista de uma nota só. Há também tempo de apresentar claras referências ao trabalho de Alan Moore em sua fase no Monstro do Pântano, o que combina bastante com o que ele estava tentando transmitir nessa história.
Outro ponto que vale destaque é como mais uma vez o roteirista demonstra sua capacidade de apresentar personagens femininas fortes e marcantes, que de certa forma subvertem o que estamos acostumados a ver em histórias desse tipo. Josephine é cheia de camadas, se equilibrando entre sensibilidade e determinação de uma forma que deixa claro que, por mais que ela fuja dos confrontos, não terá medo de enfrentar o seu destino no momento em que isso seja necessário.
Com um roteiro tão vasto e versátil, Sean Phillips tem ainda mais espaço para brilhar, demonstrando o porquê de formar uma dupla imbatível com Brubaker. O trabalho de ambientação das diferentes épocas em que a história se passa é imprescindível para a imersão do leitor na história, assim como seu traço carregado com elementos realistas e sua narrativa que alterna muito bem entre um estilo mais convencional e alguns experimentos, que deixam ainda mais claras ao trabalho de Moore que mencionei anteriormente, assim como ao trabalho de Mike Mignola em Hellboy. Isso fica ainda mais evidente pela parceria em parte da trama com Dave Stewart, que é o parceiro recorrente de Mignola envolvendo sua mais famosa criação. Quando Elizabeth Breitweiser assume as cores a coerência da narrativa é mantida, mas é perceptível como ela adiciona certos elementos lisérgicos que se apresentam em momentos importantes da história.
A série foi publicada por aqui em dois volumes pela editora Mino, em acabamento de luxo que possui capa dura, papel couché de boa gramatura e diversos extras, que envolvem as capas da série, textos interessantíssimos escritos por Jess Nevins que detalham a carreira de autores que foram influência para a série, como Edgar Alan Poe e o já mencionado Lovecraft, posfácios escritos por Brubaker com detalhes sobre a produção da obra e esboços de Sean Phillips. Um conteúdo muito bem vindo e que justifica chamar essas edições de luxuosas. O trabalho editorial de Mino como casa de boa parte dos trabalhos de Brubaker ao lado de Phillips e também de outros artistas merece elogio pela qualidade e curadoria.
Fatale é mais uma demonstração do poder criativo de Brubaker e Phillips, uma oportunidade de vê-los apresentar uma história que mistura a já tradicional história policial com toques noir que a dupla está acostumada com elementos de terror que tornam este um trabalho bastante único. Se você ainda não leu nada dessa dupla, está perdendo alguns dos melhores quadrinhos lançados nos últimos anos.
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Ficha Técnica
Editora: Mino
Tradução: Dandara Palankof
Ano de lançamento: 2024
Páginas: 312(Vol. 1) e 432(Vol. 2)
Preço: R$179,90(Vol. 1) e R$233(Vol. 2) ou R$387,00
Lucas Araújo
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