Black Hole – Os medos surgidos na adolescência!

Considerado um dos grandes nomes dos quadrinhos norte-americanos, tendo sido multi premiado, Charles Burns sempre chama a atenção quando algum novo trabalho seu é publicado. Embora tenha iniciado sua carreira nos anos 80, foi a partir de 1993 com a publicação de Black Hole, sua obra mais aclamada e publicada por aqui pela editora Darkside, que foi catapultado a essa categoria de renomado quadrinista.


Ambientado nos subúrbios de Seattle nos anos 1970, Black Hole acompanha um grupo de adolescentes que enfrenta uma estranha doença sexualmente transmissível, conhecida como “a praga”, que provoca mutações físicas bizarras e irreversíveis. Enquanto lidam com as transformações em seus corpos, eles também enfrentam os dramas típicos da adolescência — como inseguranças, descobertas, rejeição e solidão.

Charles Burns apresenta uma trama que busca abordar o período entre o fim da escola e início da vida adulta em que estamos cercados de questionamentos sobre como a vida seguirá dali para a frente ,mas aqui mais especificamente ele observa a juventude dos EUA no fim dos anos 70 e início dos anos 80, rodeada pelo pessimismo do fim da era hippie e quebra do pacto de bem estar social proporcionado pelo New Deal, além do fantasma da AIDS que ameaçava o fim da liberdade sexual que havia sido apresentada nos anos anteriores. 

Esses elementos constroem um terror existencialista que discute o pessimismo daquela geração com relação ao mundo, mas com pontos que podem ser estendidos para qualquer período, como a marginalização do adolescente receoso com as mudanças que ocorrem em seu corpo, e o desejo como fonte tanto de prazer quanto de punição. Aqui, o sexo não é romantizado nem demonizado — ele é apenas inevitável, natural e, paradoxalmente, catastrófico. Os infectados são empurrados para as margens da sociedade, vivendo isolados na floresta, o que espelha a maneira como os adolescentes, muitas vezes, se sentem: deslocados, incompreendidos e invisíveis aos olhos do mundo adulto.

Obviamente, para que esse clima de terror seja apresentado, a estética é tão importante quanto o texto e é no aspecto artístico que Burns reitera as razões pelas quais é considerado um grande autor. Seu traço é cheio de personalidade e consegue representar muito bem a sensação de estranheza que seus personagens têm com relação ao mundo, além do que a escolha pela publicação em preto e branco reforça essa sensação de estranheza,desconforto e claustrofobia. A ausência de cores acentua a atmosfera opressiva, destacando cada elemento dos quadros como parte do terror, e a composição de página que procura seguir um estilo mais tradicional sem grandes arrojos narrativos complementa o clima de isolamento e opressão.

Não à toa, Burns foi multipremiado ao longo da publicação dos doze capítulos dessa obra (entre 1993 e 2004), tendo recebido seis Harvey Awards de melhor artista, um de melhor Graphic Novel, um Eisner também de Melhor Graphic Novel, um Ignatz de melhor antologia e o Prêmio para obras fundamentais no Festival de Angoulême.

A publicação da Darkside segue o padrão da editora, que sempre preza por um belo acabamento gráfico, tendo capa dura e papel offset de alta. Com relação ao tratamento editorial gostaria que a editora tivesse inserido paratextos, ainda mais quando falamos de uma obra tão renomada, já que esse tipo de conteúdo ajuda e muito no aprofundamento da experiência de leitura. Só há uma breve biografia do autor que contextualiza sua carreira.

Black Hole é um dos grandes clássicos dos quadrinhos, uma obra que aborda a adolescência e o início da vida adulta em um contexto social atribulado que pode facilmente ser transposto para a nossa atualidade. Charles Burns é um nome que você jamais pode ignorar quando estiver estampado na capa de uma obra

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Ficha Técnica

Editora: Darkside
Tradução: Daniel Pellizzari
Ano de lançamento: 2017
Páginas: 385
Preço: R$119,90

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Lucas Araújo

Programador, estudante de TI e co-fundador do Justiça Geek. Fanático por quadrinhos, aficionado por filmes e séries, leitor faminto, gamer esporádico e músico (muito) frustrado. Gosta de falar sobre tudo isso em seu tempo livre(ou até mesmo quando não está tão livre...), debatendo questões essenciais para a humanidade como quem vence um crossover entre super- heróis, qual é seu escritor favorito e se um filme foi bem feito.