Superman é um personagem que alguns escritores consideram difícil de trabalhar pois apenas o enxergam como alguém muito poderoso e que isso dificulta a criação de desafios para este que é considerado o maior super-herói de todos os tempos, não é a toa que em diversas ocasiões o personagem teve seus poderes reduzidos para que se pudesse tornar mais fácil a tarefa de escrevê-lo. Entretanto, isso não foi um problema para Grant Morrison, que ao lado de Frank Quitely na arte, um de seus habituais parceiros de trabalho, e Jamie Grant nas cores, criou Grandes Astros Superman, não só uma das mais reverenciadas histórias do personagem mas também um dos grandes clássicos desse gênero.
Esqueça a questão de redução dos poderes, em Grandes Astros temos a versão mais poderosa do personagem, totalmente calcada na sua versão da Era de Prata, que após cair em uma armadilha de Lex Luthor acaba sendo envenenado pelo sol, a fonte de seus poderes. É então que o herói decide executar uma série de trabalhos que funcionarão como seu testamento e ajudarão a terra a lidar com a perda iminente de seu maior protetor.
É uma sinopse bem simples se você analisar, mas Morrison utiliza essa premissa para escrever uma verdadeira carta de amor ao personagem. Embora seus detratores enxerguem apenas um ser superpoderoso que enxerga a todos como indefesos, Morrison mostra que a essência do personagem está em um garoto criado no Kansas por pessoas que o ensinaram apenas a fazer o bem, sendo seu maior poder a sua humanidade. O Superman não protege as pessoas apenas porque tem uma força incomum, consegue voar e é a prova de balas, mas também porque as inspira a serem melhores. Se você assistiu ao recente filme de James Gunn vai perceber de onde o diretor/roteirista tirou as suas inspirações para compor o personagem muito bem interpretado por David Corenswet.
Não só sua versão do herói inspirou o recente filme, mas também a sua visão sobre o Lex Luthor, que provavelmente é uma das melhores já apresentadas do personagem. Um homem que consumido pela inveja pelo Superman está disposto a destruir sua reputação nem que pra isso ele tenha que destruir todo o planeta só para provar que um ser alienígena não pode ser considerado o ápice da humanidade.
As pitadas de Era de Prata, um períodos dos quadrinhos de super-heróis pelo qual o autor é obcecado, torna a história ainda mais interessante com loucuras que poderiam parecer desnecessárias nas mãos de um escritor menos habilidoso. as homenagens que ele presta às clássicas histórias de Jimmy Olsen (também clara inspiração para a recente versão cinematográfica) são hilárias e os desafios enfrentados pelo Superman são ótimas oportunidades para apresentar todos os seus poderes.
Mas o que mais impacta no trabalho de Morrison é que ele traz essa inspiração do personagem para fora das páginas. Em uma das histórias mais famosas dessa minissérie, o autor apresenta um experimento no qual o Superman analisa como seria um mundo no qual ele não existe e a resposta que ele obtém é uma das coisas mais legais já feitas com o personagem. Evitarei comentar com mais detalhes para que você tenha essa surpresa. É um exercício de metalinguagem que o autor está acostumado a apresentar em seus trabalhos e que quando está inspirado proporciona esse tipo de experiência, não à toa ele é tão aclamado.
O trabalho de arte de Frank Quitely é tão impactante quanto as sacadas do roteiro de Morrison, ele enfatiza o porquê de ser um dos grandes artistas que os quadrinhos de super-heróis já tiveram. Suas páginas tem de tudo: inventividade narrativa, impacto, beleza no traço em algumas das cenas mais marcantes da história do Superman (você já deve ter visto a cena na qual o Superman salva uma garota do suicídio em algum momento). O trabalho de expressão corporal para diferenciar Superman e Clark Kent é referência sobre como representar o personagem. É um esmero e genialidade que cobra seu preço, não à toa a publicação teve diversos atrasos, é impossível ter esse nível de cuidado com o ritmo de produção da indústria. Mas toda a espera valeu a pena.
O quadrinho foi publicado entre 2006 e 2008 em um total de 12 edições, tendo sido muito aclamado desde o início de sua publicação e arrematado o prêmio Eisner em 2008 na categoria de Melhor Série. Por aqui, a Panini já publicou o quadrinho nos mais diversos formatos, sendo bem fácil encontrá-los em comic shops, livrarias ou sebos com preços para todos os bolsos.
Grandes Astros Superman é não só uma das melhores histórias do Superman como um dos melhores quadrinhos de super-heróis de todos os tempos, um exemplo do poder da dupla Morrison e Quitely em seu auge criativo e uma leitura pra lá de indispensável. Se você gostou do mais recente filme do personagem, com essa leitura você fará um mergulho muito mais profundo e acreditará que o homem pode voar.
Para comprar esse quadrinho clique AQUI. Ao comprar pelos nossos links você nos ajuda a continuar trazendo Justiça pra Cultura Pop! Ah e sempre tem um desconto bem legal 😉
Ficha Técnica (considerando a primeira edição de luxo da publicada, que foi a utilizada para esse texto)
Editora: Panini
Tradução: Eduardo Tanaka,Caio Lopes, Rodrigo Barros e Fabiano Denardin
Ano de lançamento: 2012
Páginas: 308
Preço: R$79,90
Lucas Araújo
Latest posts by Lucas Araújo (see all)
- Novos X-Men – A revolução mutante de Grant Morrison! - 3 de março de 2026
- O Imortal Hulk – Um dos grandes quadrinhos de super-herói do século! - 23 de janeiro de 2026
- Grandes Astros Superman – Um dos maiores clássicos do Homem de Aço! - 16 de janeiro de 2026