Mulher-Maravilha Sangue- Review

Quando se fala em DC e seus personagens sempre lembramos da famosa Trindade: Superman, Batman e Mulher-Maravilha. Os dois primeiros tem mais fama, pois podemos citar várias fases e histórias famosas do Homem de Aço e do Homem Morcego. A guerreira Amazona não é muito lembrada, mas também possui histórias sensacionais quando bem trabalhada, como na famosa fase de George Pérez a frente da personagem (e editada por Karen Berger, que viria a fundar o selo Vertigo nos anos 90). Pode-se afirmar que a reformulação da personagem nos Novos 52, escrita por Brian Azzarello (famoso por 100 balas) e desenhada por Cliff Chiang em sua maioria, é uma das fases mais interessantes da personagem.

O encadernado recentemente lançado pela Panini, chamado Mulher Maravilha:Sangue, compila as 6 primeiras histórias dessa fase. Nesse primeiro arco a história gira em torno da jovem Zola, que no início da história está sendo perseguida por dois Centauros que foram criados magicamente. O deus Hermes a salva, lhe entregando um artefato que a teleporta para o apartamento de Diana Prince em Londres. Claro que logo temos um combate entre a amazona e as criaturas que perseguem a jovem, e depois disso descobrimos o motivo da perseguição: Zola está grávida de nada mais nada menos que Zeus, e Hera (a ciumenta esposa do rei do Olimpo) está querendo matar a jovem.

Se você conhece um pouco de mitologia sabe que a infidelidade de Zeus é tema recorrente em diversas histórias, mas aqui Azzarello consegue criar uma história épica, violenta e interessante com esse plot, trazendo vários elementos da mitologia, o que afasta este quadrinho de uma simples história de super-heróis. A arte de Cliff Chiang é muito boa e ajuda a contar a história com uma excelente narrativa, além de possuir um traço cartunesco que remete a uma animação.

Eu devo dizer que li o encadernado com altas expectativas, pois este é uma material muito elogiado por crítica e público, e elas não foram atendidas (lembra quando comentei que isso pode ser muito traiçoeiro?). Por mais que eu tenha achado a história muito legal, devido às referências mitológicas e ao seu tom, acho que o roteiro possui alguns furos e deixa muitas pontas soltas para as futuras edições. Isso é normal em um primeiro arco, mas acho que o roteirista podia ter construído a história de uma forma um pouco mais fechada, recompensando o leitor ao final da leitura. Ao menos o futuro da história é muito promissor.

Outro ponto negativo que devo mencionar é a colorização. Achei as cores muito claras e chamativas, o que tirou um pouco o peso da história. Como disse, o traço de Cliff Chiang parece o de uma animação, mais adulta, transmitindo a violência e o clima mais sombrio da história. O problema é que o trabalho de colorização ameniza tudo isso. Espero que isso melhore nos próximos volumes.

No fim o saldo é muito positivo, este é um quadrinho recomendado para leitores novatos e veteranos. Só evite ir com muita sede ao pote pra que sua diversão seja ainda maior. Eu estou ansioso para os próximos encadernados, já que como disse antes, o futuro desta série é bastante promissor.

Brian Azarello e Cliff Chiang

Ficha técnica:

Editora: Marvel/Panini
Ano de lançamento: 2016
Páginas: 164
Preço:R$ 29,90 (capa dura)
Onde encontrar: Livrarias, bancas de jornal e lojas especializadas

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Lucas Araújo

Programador, estudante de TI e co-fundador do Justiça Geek. Fanático por quadrinhos, aficionado por filmes e séries, leitor faminto, gamer esporádico e músico (muito) frustrado. Gosta de falar sobre tudo isso em seu tempo livre(ou até mesmo quando não está tão livre...), debatendo questões essenciais para a humanidade como quem vence um crossover entre super- heróis, qual é seu escritor favorito e se um filme foi bem feito.