Logan – O melhor no que faz!

Redenção é uma palavra forte e que vem sendo muito utilizada para descrever este filme. Mas claro, isso não é uma referência ao trabalho de Hugh Jackman, que sempre apresentou um ótimo trabalho como Wolverine, sempre honrando com o personagem mas, pelo menos em seus filmes solos, era rodeado de filmes que variavam entre regular (Wolverine – Imortal) e horrível (Wolverine Origins). Logan já pode ser facilmente considerado um dos melhores filmes da franquia X, ao lado de X-Men 2 e Deadpool.

Neste filme Wolverine está cansado, ferido, velho e, sob certo aspecto, depressivo. Ele parece não ter mais vontade de viver e cada dia de sua vida parece uma tortura cheia de lembranças tristes sobre as pessoas que ele amou e que se foram. Além disso ele tem que ver seu amigo professor Xavier definhando devido ao Alzheimer, contar com a ajuda do mutante Caliban para cuidar de seu amigo, ter dificuldade em conseguir medicamentos que amenizem os efeitos da doença, que afetam não só Xavier como todos ao seu redor, já que quando a mente mais poderosa do planeta tem uma doença degenerativa as consequências são enormes. Tudo que Logan quer é juntar dinheiro para comprar um barco e fugir junto aos seus companheiros para o alto mar. Quando ele conhece uma enfermeira mexicana e uma silenciosa menina, a oportunidade de atingir este simples objetivo aparece.

O filme te prende já na primeira cena, que é uma carnificina que esperamos muito tempo para ver em filmes do Wolverine. O filme é bastante violento, mas esta violência não é gratuita e serve muito bem à trama. James Mangold faz um ótimo trabalho na direção, pois mesmo que o filme tenha uma proposta mais sombria e triste, ele consegue alternar momentos sombrios com alegres e divertidos de maneira natural sem que isso deixe o filme esquizofrênico (diferente de certos diretores com frases como “ela está com você” …). O filme é divertido mas não engraçado, dois aspectos que as pessoas tendem a confundir.

Hugh Jackman, como já mencionei anteriormente, honra o personagem em sua atuação e se entrega ao máximo. Em muitas cenas você sente a tristeza do personagem, a sua raiva apenas nas expressões dele ou nas feridas em seu corpo. Você fica do lado dele até o final e quando o filme termina é inevitável sentir uma certa tristeza por este ser seu último filme como o personagem que o consagrou, mesmo que saibamos que em Holywood esse tipo de decisão pode ser revertida de um dia para o outro.

Dafna Keen apresenta um excelente trabalho como Laura/X-23 e impressiona já que tem apenas 11 anos. Mesmo silenciosa em grande parte do filme, consegue transmitir em seu olhar e ações todas as facetas de uma personagem que, mesmo sendo criança, já sofreu muito e não sabe como é ter uma vida normal. Suas cenas de ação também são muito legais e demonstram mais uma vez o trabalho de Mangold na direção.

Este filme também foi a despedida de Patrick Stewart como professor Xavier, uma das escolhas de intérprete mais acertadas da história quando falamos de filmes de Super- Heróis. É triste ver aquele mentor que tanto respeitamos e amamos transformado em alguém que está pouco ligado à realidade e em alguns momentos mal reconhece quem está ao seu redor. Mas Stewart demonstra alguns lampejos de sanidade do personagem e dessa forma o transforma novamente naquele conselheiro essencial para a jornada de Logan e também apresenta uma faceta diferente do personagem, mais engraçada e que não estamos acostumado a ver, o que traz uma profundidade ainda maior à ele.

A amizade mais duradoura da franquia X.

Donald Hoybrook (que você deve conhecer de Narcos) faz um bom papel como o carrasco Donald Pierce, mas aquele que deveria ser o grande vilão do filme Dr Zander Rice (interpretado por Richard E. Grant) é um cientista maluco genérico até dizer chega. Outro ponto negativo é a aparição de um personagem que é digna de solução de roteiro de um filme B e te desliga um pouco do filme.

O carniceiro Donald Pierce

O filme também apresenta um pequeno problema de ritmo na transição do segundo para o terceiro ato, em que parece haver uma certa encheção de linguiça e quebra o ritmo que o filme vinha impondo até aquele momento. Isso me incomodou um pouco, mas o terceiro ato cheio de ação e o belo final compensam este problema.

Voltando aos pontos positivos, é impossível não mencionar o excelente trabalho de direção de arte. Claro que houveram muitas influência nos visuais, como Mad Max e The Last Of Us, mas mesmo assim o visual não deixa de ser ótimo, apresentando uma tecnologia suja que lembra também o que George Lucas fez na primeira trilogia de Star Wars. O trabalho de maquiagem também é muito bom, com destaque para as cicatrizes e ferimentos de Logan que parecem muito reais e ao que fizeram com os olhos do personagem que sempre parece de ressaca. O efeito do braço mecânico de Donald Pierce também parece bastante crível.

A influência de The Last of Us é latente em Logan

Logan é um filme que respeita o personagem e que satisfaz até o mais rigoroso fã. A Fox parece ter descoberto um nicho de filmes adultos sobre super-heróis, mesmo que neste caso o filme seja muito mais sobre o homem do que sobre o herói. Vá assistir sem medo de ter suas expectativas contrariadas, pois Hugh Jackman é o melhor no que faz.

Nota: 8,5/10

Ficha Técnica

Duração: 137 minutos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção:
 James Mangold
Roteiro: James Mangold, Michael Green e Scott Frank
Elenco: Hugh Jackman, Dafne Keen, Patrick Stewart, Richard E. Grant, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Elizabeth Rodriguez

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Lucas Araújo

Programador, estudante de TI e co-fundador do Justiça Geek. Fanático por quadrinhos, aficionado por filmes e séries, leitor faminto, gamer esporádico e músico (muito) frustrado. Gosta de falar sobre tudo isso em seu tempo livre(ou até mesmo quando não está tão livre...), debatendo questões essenciais para a humanidade como quem vence um crossover entre super- heróis, qual é seu escritor favorito e se um filme foi bem feito.