OPINIÃO: “Voando Alto” abusa do clichê, mas convence

Estreou na última quinta-feira, 31, nos cinemas brasileiros, o filme Voando Alto (Eddie The Eagle, título original), protagonizado por Taron Egerton (de Kingsman) e com a participação do eterno Wolverine, Hugh Jackman. O filme conta a história real de Eddie “The Eagle” Edwards que, desde criança, sempre quis participar das Olimpíadas e vai atrás de seu sonho sendo o primeiro representante de Salto de Esqui da Grã-Bretanha. E, para isso, ele conta com a ajuda de Bronson Peary, personagem fictício de Jackman.

O roteiro nos presenteia com uma história bem costurada, sem grandes tramas paralelas e românticas ou personagens dispensáveis. Desde o início do filme, os roteiristas Sean Macaulay e Simon Kelton fazem o telespectador mergulhar na história mostrando a perseverança do personagem principal para atingir seu sonho. Apesar de algumas cenas desnecessárias – como uma entre a mãe e o pai de Eddie discutindo “metros” e “pés” – o roteiro consegue atingir seu principal objetivo: criar a atmosfera motivacional. O longa tem uma linha crescente fazendo a plateia entrar em delírio nas sequências finais.

Outro ponto a se destacar é o fato dos roteiristas não abusarem da comédia forçada e deixar tudo natural, nas entrelinhas, provocando as risadas involuntárias. A direção de Dexter Fletcher, em seu terceiro longa, contribui com a construção correta das situações em cena. Os personagens foram montados em bases caricatas (Eddie, principalmente, no começo), mas nada disso é prejudicial, já que a linguagem do filme é essa. Em cenas, como as de salto na rampa, Fletcher abusa do slow motion, efeitos belíssimos e trilha sonora de cordas – peça chave para emocionar e envolver o público. O uso intenso é previsível.

Quando o filme se inicia, tem-se a sensação de que as atuações são operísticas, mas logo percebe-se a caricatura já mencionada. Taron Egerton está caracterizado perfeitamente como Eddie e poderia fazer qualquer pessoa confundi-lo com o real Eagle. Quando a foto do real Edwards surge nos créditos finais, é impossível não se impressionar com a semelhança. Hugh Jackman traz uma boa interpretação, mas nada que sobressaia. Jo Hartley convence bastante como a mãe de Eddie assim como Keith Allen como o pai do jovem sonhador. Há, ainda, a participação de Christopher Walken que, apenas em uma cena, coloca em jogo seu indiscutível talento.

Voando Alto é aquele tipo de filme motivador, recheado de clichês, mas que dá certo e consegue emocionar o público.

Avaliação do Filme: 7.5

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Montez Olivero

Montez Olivero é estudante de cinema de Recife, Pernambuco. Escreve sobre as estreias da semana para você ficar por dentro do mundo da sétima arte. Viciado em filmes e séries a ponto de não responder mensagens por estar imerso neste mundo. Ou seja, um cinéfilo e seriador apaixonado e maníaco.

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