Top 10 quadrinhos lidos em 2015

O Ano de 2015 está acabando (ou já acabou dependendo de quando esse texto vai ao ar rs) e foi muito positivo no que tange aos lançamentos e leituras de quadrinhos. Farei aqui meu Top 10 de leituras do ano, mas ressalto que também constarão materiais que não foram lançados exatamente esse ano, mas que tive o primeiro contato ou dei prosseguimento a leitura. Também não colocarei em ordem de preferência, pois todas as obras foram experiências excelentes em minha opinião. Vamos lá?

Demolidor Revelado- Brian Michael Bendis e Alex Maleev

O primeiro encadernado de uma série que reunirá toda a passagem de Brian Michael Bendis pelo Demolidor, lançado pela Panini com o nome de Revelado, é simplesmente sensacional. Neste primeiro encadernado o Demolidor tem sua identidade secreta revelada por um jornal, devido ao vazamento desta informação por parte da máfia, tornando sua vida um verdadeiro inferno, obrigando-o a lutar para provar que esta informação não é verdadeira. Porém a luta que ele tem que travar não é nas ruas como Demolidor mas sim nos tribunais na figura de Matt Murdock. Em paralelo a estes problemas na vida de Murdock, o crime organizado da cidade de Nova York está em conflito, já que houve uma tentativa de assassinato contra o Rei do Crime, surgindo assim um vácuo no poder e uma luta entre os criminosos restantes pelo posto de Rei.

A abordagem realista e os diálogos afiados que Bendis emprega na história a tornam uma das melhores coisas lançadas pela Marvel na década passada. Material essencial para fãs e não fãs do personagem.

Demolidor de Frank Miller e Klaus Janson


Falando em Demolidor, esta é definitivamente a melhor fase do personagem. O que Frank Miller fez nesta série redefiniu o que o personagem é, pois trouxe diversos elementos que se tornaram essenciais ao personagem: Elektra, o catolicismo, o treinamento com Stick, o clima Noir das histórias. Por tudo isso, considero Frank Miller um co-criador do personagem.

Miller iniciou seu Run em Demolidor apenas como desenhista, e assumiu os roteiros posteriormente. É interessante perceber como a arte dele evolui no decorrer das edições, apresentando fortes influência de Will Eisner e como a arte final de Klaus Janson combinou bastante com seu traço. Resumindo, é um dos melhores materiais já publicados pela Marvel, simplesmente essencial na coleção de qualquer admirador de quadrinhos.

The Walking Dead-Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard.

A intensa história de Rick Grimes, um policial do Estado de Georgia (EUA) que ao ser atingido em um tiroteio no seu expediente de trabalho entra em coma. Ao acordar no hospital se depara com uma cidade Destruída e infestada por Zumbis. Desesperado Rick volta até sua casa para saber o que houve com sua família, porém não encontra ninguém e parte em busca deles e de uma explicação para o caos que está acontecendo.

Acho impressionante a capacidade de Robert Kirkman ao escrever uma série tão longeva e manter sempre um padrão de qualidade altíssimo. A arte não fica para trás e o fato de ser em preto em branco traz um desespero à história que entra bastante em sintonia com o roteiro escrito por Kirkman. Uma das melhores HQs em publicação no momento e em minha opinião muito superior a série de TV de mesmo nome.

Astro City-Kurt Busiek, Alex Ross e Brent Anderson


Uma perspectiva diferenciada sobre o arquétipo do super-herói que todos nós conhecemos e também uma bela homenagem a vários elementos que foram essenciais na construção de personagens da Marvel e da DC. Sem dúvida, Astro City é um dos melhores lançamentos/relançamentos do ano.

A bela escrita de Kurt Busiek com algumas ideias de Alex Ross (que faz todas as belas capas) e a arte competente de Brent Anderson estão em perfeita sintonia nessa série. Acho todas as histórias da série excelentes, porém gostaria de destacar uma história do segundo volume, chamado de “confissão”, que fala sobre uma pessoa comum que lembra do que aconteceu antes de um reboot neste mundo de Astro City. Essa história inclusive ganhou o prêmio Eisner de melhor história única.

Se você é fã de super-heróis, Astro City é indispensável pra você. Lendo, você tem a sensação de que é algo feito de fã para fã, pois a equipe deste quadrinho é visivelmente apaixonada por super-heróis.

A saga do Monstro do Pântano- Alan Moore, Stephen Bissete e John Totleben


O primeiro trabalho de Alan Moore para uma grande editora norte americana é um dos grandes símbolos da invasão britânica ocorrida nos anos 80 no mercado dos EUA de quadrinhos. E com a conclusão da publicação no Brasil este ano, posso afirmar sem sombra de dúvidas que este é um dos melhores trabalhos já escritos por Alan Moore, diria até que fica no top 3 de melhores trabalhos dele.

Um trabalho muito influente (Neil Gaiman diz que essa foi uma de suas inspirações para fazer quadrinhos), muito bem escrito e com uma arte incrivelmente bela e diferente, com diagramações que não são vistas normalmente no mercado Mainstream (grande mérito dos artistas John Totleben, Stephen Bissette, Alfredo Alcala e Rick Veitch). Não tenho muito mais a dizer sobre, só digo que se você não está lendo ainda está perdendo uma das melhores publicações deste ano e uma das melhores leituras da sua vida.

Hellblazer Infernal-Garth Ennis


Uma das fases mais aclamadas do mago inglês foi republicada em 2015(mas ainda não finalizada) traz um Garth Ennis inspiradíssimo, que já traz em seu primeiro arco de histórias o aclamado “Hábitos perigosos”. Nessa história John Constantine descobre estar com câncer e tem que correr contra o tempo para buscar uma cura, seja ela medicinal ou mística.

Com relação a arte, vários artistas passaram pelas histórias (entre eles David Loyd, o artista de V de Vingança), porém os dois que mais estão presentes nesta fase são Will Simpson e Steve Dillon. Will tem um traço sujo que combina bastante com as histórias do personagem e uma noção de narrativa bastante satisfatória e em minha opinião é o melhor artista dessa fase. Já Steve Dillon possui suas limitações com relação a construção de rosto de personagens (todos parecem iguais) e perspectiva, porém quando trabalha com Garth Ennis apresenta um trabalho satisfatório e que não atrapalha na apreciação da história.

É um dos grandes clássicos da Vertigo e perfeito pra quem já é fã do personagem ou pra quem está interessado em conhecer mais sobre John Constantine. Indispensável para fãs de histórias com teor mais adulto e sobrenatural.

Dois irmãos- Fabio Moon e Gabriel Bá


Em 2015 conheci o trabalho dos gêmeos através de Daytripper, a obra mais aclamada desta dupla, e por mais que eu tenha achado excelente, Dois irmãos entra nesta lista por ser um trabalho melhor ainda.

A história, que se passa em Manaus, sobre a conflituosa relação entre os gêmeos Yaqub e Omar e também a relação desses irmãos com os personagens ao redor é muito interessante, simplesmente sensacional. A obra é uma adaptação do romance escrito por Milton Hatoum, porém Fabio Moon e Gabriel Bá imprimem sua personalidade na obra, trazendo elementos visuais de uma Manaus que poucos brasileiros conhecem.

Em minha opinião é o melhor trabalho dos gêmeos no que tange à arte e um dos melhores lançamentos do ano, pretendo publicar uma resenha específica desse material em breve então fiquem ligados!

Pílulas Azuis- Frederik Peeters


Eu já tinha ouvido falar muito bem dessa HQ, que estaria na lista de melhores do ano de todo mundo. O Hype estava grande e tive receio de me decepcionar mas posso afirmar que isso felizmente não aconteceu, esse é com certeza um dos mais belos lançamentos desse ano!

A história autobiográfica de Frederik Peeters que se apaixona por uma garota, Cati, que é soropositiva e que tem um filho que também é soropositivo é emocionante. Ele nos mostra seus medos, dúvidas e traz esclarecimentos muito relevantes com relação à AIDS. Tudo isso com uma arte simples, porém com sacadas narrativas geniais e com humor que não deixa a obra piegas em nenhum momento.

Uma história de amor permeada com sinceridade. Leia esse quadrinho, pois irá agregar em diversos aspectos da sua maneira de pensar sobre relacionamentos.

Ao coração da tempestade- Will Eisner

Lembra que no começo do texto eu disse que não colocaria ordem de preferência nesta lista? Pois bem, aqui terei que abrir uma exceção já que “Ao Coração da tempestade” foi sem sombra de dúvidas a melhor leitura que fiz em 2015.

Eu ainda não conhecia nenhuma obra de Will Eisner, mas assim que li esta me tornei instantaneamente seu fã. Eisner é com certeza um dos artistas mais influentes de todos os tempos e também um revolucionário no que tange ao Mercado de quadrinhos (Ele é o inventor do termo Graphic novel por exemplo), moldando-o para se tornar o que conhecemos hoje.

Ao coração da tempestade é praticamente uma HQ autobiográfica, na qual Eisner conta sua história, desde a infância difícil em Nova York como filho de imigrantes judeus, sofrendo preconceito e dificuldades financeiras até o início de seu trabalho com quadrinhos e a interrupção desse trabalho devido à sua convocação para servir como soldado na Segunda Guerra Mundial.

Considerada por diversos fãs (entre eles, gente do calibre de Neil Gaiman e Frank Miller) e críticos como sua melhor obra, Ao coração da tempestade é um belo relato sobre a vida dos imigrantes nos EUA no começo do século XX e sobre o sonho que Eisner tinha de se tornar um artista.

Yu Yu Hakusho- Yoshihiro Togashi

Eu já era bastante fã do anime que acompanhei na infância e foi bastante divertido poder rever esta história por meio da republicação do mangá feita pela JBC. Este é um dos meus mangás/animês favoritos.

Para quem não conhece, Yu Yu Hakusho trata sobre as aventuras de Yusuke Urameshi, um jovem de 14 anos bastante encrenqueiro que acaba morrendo ao salvar a vida de uma criança e por uma atitude tão inesperada acaba recebendo uma segunda chance na vida. Porém há uma condição para que Yusuke retorne à vida: Ele deve se tornar um detetive espiritual.

Mesmo que você já tenha visto o animê, que é bastante popular no Brasil, eu recomendo que você também leia o mangá, já que Yoshihiro Togashi é um dos mangakás mais divertidos do mercado e traz uma história bastante interessante nesta obra, mesmo que às vezes seja bastante preguiçoso em seus desenhos.

Menções honrosas

Quero destacar rapidamente 3 HQs que não entraram na lista principal (por motivos que não sei explicar rs) mas que merecem ser citadas, nem que seja rapidamente.

Miracleman-Alan Moore


Um trabalho magnífico de Alan Moore, ainda em início de carreira. Como seria se houvesse um Superman no mundo real? Essa é a pergunta que Moore tenta responder aqui, além de apresentar seu primeiro trabalho com o tema de desconstrução do arquétipo de super-herói. Uma das coisas mais interessantes é que o rumo da história é imprevisível.

Gotham DPGC (Gotham City contra o crime) – Greg Rucka,Ed Brubaker e Michael Lark


Uma excelente narrativa policial, escrita por especialistas no assunto, se passando em Gotham City, um cenário perfeito pra esse tipo de história. Incrível tanto em roteiro quanto em arte, está série é um dos melhores relançamentos do ano. Vencedora de vários Eisners, recomendo que você leia o arco chamado “Meia vida”, garanto que não haverá arrependimento.

Sandman-Neil Gaiman

É meio “desrespeitoso” colocar Sandman apenas como uma menção honrosa, mas lembrar desta obra é o mais importante. A saga de Morpheus pelo mundo dos sonhos é poesia em forma de quadrinhos, é uma das coisas mais bem escritas que já vi em qualquer ramo de entretenimento. Ainda não finalizei a leitura desta obra (ainda me faltam 25 edições), mas assim que terminar pretendo escrever algo sobre Sandman, mesmo sendo difícil falar algo que ainda não foi dito sobre o Magnus Opus de Neil Gaiman.

Foi bem difícil finalizar este top 10(que acabou se tornando um top 13 de certa forma rs), acabei deixando muita coisa excelente de fora. Espero que 2016 seja tão positivo quanto 2015 foi em termos de leitura. E você, quais foram suas melhores leituras em 2015? Tem alguma coisa em comum com a minha lista? Deixa aí nos comentários, vamos trocar recomendações. Sempre descobrimos algo novo nesse tipo de discussão. Até a próxima!

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Lucas Araújo

Programador, estudante de TI e co-fundador do Justiça Geek. Fanático por quadrinhos, aficionado por filmes e séries, leitor faminto, gamer esporádico e músico (muito) frustrado. Gosta de falar sobre tudo isso em seu tempo livre(ou até mesmo quando não está tão livre...), debatendo questões essenciais para a humanidade como quem vence um crossover entre super- heróis, qual é seu escritor favorito e se um filme foi bem feito.