X-Men Apocalipse-Bryan Singer acerta novamente

Estamos na era dos filmes de Super-heróis. Todo ano temos ao menos o lançamento de dois filmes do gênero por ano, que possuem grandes orçamentos e levam multidões ao cinema. Mas você lembra quando esta era teve início? Muito antes dos filmes da Marvel Studios e a trilogia Batman de Cristopher Nolan, tivemos Blade mas principalmente Homem-Aranha, dirigido por Sam Raimi, e X-Men de Bryan Singer.

Após cinco filmes, se contarmos só os principais, sua saída da franquia, seu retorno e um reboot, Singer volta com um novo filme da equipe mutante, X-Men: Apocalipse. Aqui ele traz um icônico vilão dos mutantes, o Apocalipse do título, que aborda temas religiosos em sua origem, pois é o primeiro mutante conhecido e era tratado como Deus no Egito antigo.

Antes de tecer meus comentários, uma rápida sinopse: Também conhecido como Apocalipse, En Sabah Nur (Oscar Isaac) é o mutante original. Após milhares da anos, ele volta a vida disposto a garantir sua supremacia e acabar com a humanidade. Ele seleciona quatro Cavaleiros nas figuras de Magneto (Michael Fassbender), Psylocke (Olivia Munn), Anjo (Ben Hardy) e Tempestade (Alexandra Shipp). Do outro lado, o professor Charles Xavier (James McAvoy) conta com uma série de novos alunos, como Jean Grey (Sophie Turner), Ciclope (Tye Sheridan) e Noturno (Kodi Smit-McPhee), além de caras conhecidas como Mística (Jennifer Lawrence), Fera (Nicholas Hoult) e Mercúrio (Evan Peters), para tentar impedir o vilão.

Apocalipse se passa aproximadamente 10 anos após seu antecessor, Dias de um Futuro Esquecido, sendo situado nos anos 80, mais precisamente 1983. A ambientação do filme cumpre o papel de fazer o espectador se sentir nesta época, seja pelas vestimentas dos personagens, seu modo de falar ou os ambientes do filme. Há também uma influência de John Hughes no filme (que você deve conhecer por clássicos oitentistas como curtindo a vida adoidado e Clube dos cinco), principalmente no relacionamento entre os mutantes mais jovens: Jean, Kurt, Scott e Jubileu.

O clima do filme é muito interessante. Bryan Singer consegue manter um clima mais sério durante todo o filme, mas sem ficar sisudo e sombrio demais, e também consegue inserir piadas em alguns momentos oportunos, o que traz um equilíbrio muito bem-vindo ao filme. Aqueles que reclamam da fórmula Marvel de fazer filmes encontrarão aqui o clima que esperavam que a empresa utilizasse em seus filmes.

O roteiro é bem escrito, não há falhas muito graves e há justificativas para as ações de cada personagem. Também achei legal que os personagens são construídos nos detalhes, em ações sutis que ajudam a dar tridimensionalidade aos mesmos, por exemplo, ao mostrar Noturno rezando antes de uma missão ou Scott chorando ao descobrir seus poderes. Além disso, temos uma das melhores cenas do Wolverine nos cinemas. Isso demonstra que a equipe de produção do filme sabe com quais personagens está trabalhando.

Quanto às atuações, destaque para o Magneto de Fassbender, que sempre apresenta uma atuação muito acima da média, McAvoy, que mostra amadurecimento como Professor Xavier e uma personalidade muito menos sombria que o último filme. A relação dos dois personagens é muito bem trabalhada, isso desde a primeira trilogia, e é bem legal ver esses atores honrando o legado de Ian McKellen e Patrick Stewart. Nicholas Hoult apresenta uma boa atuação como Fera, O Mercúrio de Evan Peters é muito carismático e divertido, e Oscar Isaac também se sai muito bem como Apocalipse, mesmo que as vezes o roteiro traga alguns clichês de vilão em suas falas.

É claro que o filme possui defeitos. Mística tem muita importância na trama, o que é compreensível devido a atriz e o roteiro até tenta justificar isso, mas Jennifer Lawrence parece estar no automático e entrega uma interpretação sem brilho algum. Há também personagens que são muito mal explorados, como a Tempestade (não foi dessa vez que a personagem teve a importância merecida), Psylocke (que mal tem falas, apesar da caracterização perfeita) e a Jubileu, que some rapidamente da trama. Outro coisa que deve ser lembrada é que muita cosia legal que o filme apresenta já foi visto em outros filmes da franquia, como a cena do Mercúrio por exemplo. Isso não tira a qualidade do filme, mas mostra um certo receio ou até incapacidade de se reinventar e inovar.

X-Men Apocalipse é um filme que possui defeitos mas proporciona muita diversão. Não é de forma alguma o pior filme do gênero deste ano (em minha opinião Batman vs. Superman está neste posto infelizmente) e acho que merece muito ser visto. O futuro da franquia promete ser mais super-heroico, inclusive com uniformes que remetem muito aos quadrinhos, e Bryan Singer nunca decepciona quando trabalha com os mutantes. Vamos aguardar 🙂

Nota: 8/10

Ficha Técnica

Duração: 144 minutos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção:
 Bryan Singer
Roteiro: Simon Kinberg
Elenco: James McAvoy,Michael Fassbender,Jennifer Lawrence,Oscar Isaac,Rose Byrne,Nicholas Hoult,Alexandra Shipp,Lucas Till,Sophie Turner,Josh Helman,Tye Sheridan,Lana Condor,Evan Peters

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Lucas Araújo

Programador, estudante de TI e co-fundador do Justiça Geek. Fanático por quadrinhos, aficionado por filmes e séries, leitor faminto, gamer esporádico e músico (muito) frustrado. Gosta de falar sobre tudo isso em seu tempo livre(ou até mesmo quando não está tão livre...), debatendo questões essenciais para a humanidade como quem vence um crossover entre super- heróis, qual é seu escritor favorito e se um filme foi bem feito.