Controle arcade? Faça justiça com as próprias mãos!

Salve, justiceiros e gamers de plantão.

Falamos há algumas semanas sobre o pré lançamento de Street Fighter V e a repercussão de seu lançamento. Mesmo com todos os problemas em relação à falta de conteúdo, a nova mecânica agradou tanto a novos quanto a antigos jogadores.

Por ter uma mecânica mais acessível, é natural que novos e empolgados jogadores tenham o desejo de melhorar sua performance para fazer bonito na jogatina, principalmente nas partidas ranqueadas. Assim sendo, notei um número considerável de pessoas nos fóruns em que participo questionando se vale a pena o investimento em um controle arcade (aquele famoso controle de fliperama).

Já adianto que um controle arcade não vai melhorar sua performance de imediato e, pra piorar, tem custo bastante elevado. Vale lembrar também que a transição entre o gamepad (controle comum) e o arcade pode não ser tão natural quanto possa parecer. Há pessoas tão acostumadas com os pads padrão de cada console que acabam tendo uma experiência inicial ruim com o arcade, abandonando a ideia.

Um controle arcade de boa qualidade deve possuir um stick (alavanca) preciso e botões sensíveis, que permitam acionamento rápido. Esses botões devem estar distribuídos num layout que favoreça o posicionamento dos dedos, consequentemente facilitando a execução de movimentos e aplicação de algumas técnicas avançadas, utilizadas por jogadores profissionais. Não sou top player em jogos de luta e esse assunto fica para pesquisa de nossos justiceiros mais engajados no aprendizado. Se para você, apenas melhorar a execução é o caminho para o sucesso, então parabéns, você é um candidato apto a ser dono daquele tão sonhado e maravilhoso controle arcade!

Mas voltemos ao alerta anterior. Melhorar a execução de comandos é o primeiro passo, mas isso apenas não é o suficiente para te fazer começar a ganhar. É preciso aprender a controlar espaço, o mind game (sim, tal qual um jogo de poker), conhecer a mecânica do jogo e utilizá-la a seu favor, conhecer os golpes seguros e como punir adversários. Pouca coisa? Certamente não, mas plenamente possível.

Bom, alerta dado, voltamos ao objetivo desse texto: Vale a pena investir num controle arcade?

Pra quem está iniciando, certamente não recomendaria nenhum controle top de mercado, que em minha última pesquisa chegou à incrível faixa de R$ 1000 a R$2000. Mas como bom justiceiro, mostro o problema e também a solução: Por que não construir seu próprio arcade?

Com investimento aproximado de R$ 400 é possível montar um controle de bastante qualidade. Com um pouco de criatividade e habilidade manual, certamente esse custo pode diminuir. E olha que não estou falando daqueles caixotes horríveis e desengonçados com componentes de segunda vendidos por aí.

Eu tenho um arcade customizado que é meu orgulho. Deu trabalho, mas posso garantir que jogar com ele é muito bacana. Jogar em algo feito por você tem um sabor especial.

Abaixo uma foto do resultado que obtive para que vocês se animem (ou não…rs) com a ideia:

Tudo o que vocês precisam é de um case, um stick, kit de botões (8 a 11 dependendo do layout) e uma placa controladora, de preferência sem soldas (solderless). Lembro que cada plataforma (ps360/X One/PS4/PC) possui diferentes soluções de placas controladoras e muitas vezes o uso de adaptadores multi plataforma se faz necessário, encarecendo um pouco projeto. Aqui falaremos de uma solução para PC/PS3 (compatível com alguns jogos no PS4), a mais acessível, OK?

O case.

Pra mim o ponto alto do projeto, artisticamente falando. O case num projeto customizado revela muito de quem o empunhará. Mesmo algo simples, mas feito com capricho, quase sempre resulta em algo bacana.

Aqui entra a criatividade e habilidade manual de cada um, mas como nem todos têm o dom para tarefas manuais (eu paguei um bom marceneiro pra fazer meu case…rs) há cases já prontos na internet em MDF ou acrílico com preços variando entre R$ 60 e 250.

Alguns projetos criativos utilizam carcaças de consoles antigos como case. É uma solução barata e com resultado bem bonito e descolado. Carcaças de PS2 podem ser encontradas por até R$ 20,00.

Vale lembrar que SP tem 3 Fab labs, laboratórios colaborativos para fabricação de projetos digitais. Todo Fab Lab é aberto ao público em um dia específico da semana. Os labs contam com impressora 3d, máquinas de corte de MDF a laser e fresadoras, além de profissionais para auxiliá-los nos projetos. Uma ótima iniciativa, não?

Ao final do texto vocês encontrarão o link para o site contendo tutoriais para alguns modelos de case, conhecimento básico sobre componentes, eletrônica e etc.

Sticks e botões.

Utilizar componentes de qualidade é essencial para se ter a precisão de que tanto falamos. Os componentes referência do mercado e utilizados nos melhores arcades são das marcas Sanwa, Seimitsu e Hori, todas japonesas. Há muitas cópias no mercado, mas geralmente são de boa qualidade. Um kit de réplicas de boa qualidade de componentes Sanwa, contendo stick e 8 botões, sai por cerca de R$ 200. Vejam se vale a pena importar ou pegar por aqui mesmo.

Controladora.

O coração do projeto. Infelizmente para consoles as opções são bastante limitadas e caras. Utilizar a placa de um controle original dos consoles de nova geração (XBox One/ PS4) infelizmente é algo bastante complicado de se fazer. Focaremos na solução para PC, mas nada impede que vocês pesquisem e utilizem soluções específicas ou adaptadores para projetos destinados a consoles.
Minha recomendação é esse modelo, na faixa de R$ 130,00, que não requer soldas e é bem prático:

Esperam que tenham gostado dessa matéria e que ela possa render bons frutos aos justiceiros. Não deixem de comentar e enviar fotos de suas criações para compartilharmos aqui no JG.

Links:

Modelos exemplo:  http://slagcoin.com/joystick/example2.html

layouts dos botões: www.slagcoin.com/joystick/layout.html

Idéias de projetos: http://www.joystickvault.com/

Vídeo tutorial “How To Build A Pro Arcade Stick – Easy Way” (Como fazer um controle arcade pro – Jeito fácil):

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Rodrigo Borges

Analista de Qualidade de Software e gamer sem "ismos".

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