Top 15 quadrinhos lidos em 2017

2017 foi um ano bastante interessante no que tange aos quadrinhos que puder ler. Descobri muitas coisas novas e diferentes, que me acrescentaram muito como pessoal de certa forma. Alguns destes quadrinhos eu comentei aqui no site, seja em forma de review ou Recomendação da Semana, mas reuni os 15 melhores em minha opinião para este texto. Lembrando que nessa lista não haverá apenas quadrinhos lançados esse ano mas sim os que eu li esse ano ou dei prosseguimento à leitura e eles não estão organizados em ordem de preferência. Sem mais enrolações, vamos à lista!

Arqueiro Verde e Lanterna Verde – Denny O’ Neil Adams e Neal

Esta série é um dos pilares do que se convencionou chamar de Quadrinho adulto. Em plenos anos 70 Denny O’Neil e neal Adams se uniram para falar sobre problemas sociais, como racismo, questões indígenas e ambientais, pelas quais os EUA estavam passando.

O roteiro de O’ Neil é muito preciso em abordar estas questões com seriedade ao mesmo tempo que constrói uma trama que prende atenção do leitor. TTudo isso acompanhado pela magnifica arte de Neal Adams, um dos artistas mais influentes de todos os tempos. A Panini está de parabéns por relançar esta série em um formato muito atrativo para o bolso do leitor e caso você ainda não tenha lido, corra atrás deste clássico obrigatório na coleção de qualquer fã da nona arte.

Confira nossa Recomendação da Semana sobre esse quadrinho!

Homem de Ferro: O Homem Mais procurado do Mundo – Matt Fraction e Salvador Larroca

Definitivamente um dos melhores quadrinhos escritos na última década. Matt Fraction constrói uma trama que mistura filmes de 007 com um Thriller de perseguição ao fazer com que Tony Stark perca todo seu poder e seja perseguido por Norman Osborn, o novo chefe da segurança mundial.

Aqui conhecemos um Tony Stark que vai muito além do perfil “playboy, gênio, bilionário e filantropo”. A arte de Salvador Larroca complementa muito bem a história, que venceu o prêmio Eisner. Um dos melhores lançamentos deste ano.

Confira nossa Recomendação da Semana sobre este quadrinho!

Tungstênio – Marcelo Quintanilha

É sempre bom acompanhar os trabalhos de Marcelo Quintanilha pois é um dos quadrinistas que mais conseguem representar a psique humana.

Aqui temos quatro protagonistas: Um Sargento aposentado, um traficante, um Policial casca grossa e a esposa desse policial. A história é ambientada em Salvador e, devido à arte de Quintanilha e à maneira como ele elabora os diálogos dos personagens, você realmente se sente na cidade, como se fosse uma daquelas pessoas. É algo indescritível.

A maneira como os personagens são relacionados demonstra um grande cuidado na elaboração dos roteiros, assim como seus dramas e problemas são apresentados de maneira muito natural. São coisas que vimos todos os dias, que nos chocam e que pode acontecer a qualquer um de nós. Quintanilha demonstra que as pessoas nem sempre são como tentam transparecer e que isto é, muitas vezes, uma característica inerente ao comportamento humano.

Super premiada, a HQ inclusive ganhou o Angoulême, um dos principais prêmios de quadrinhos de todos os tempos. Uma característica do Quintanilha que eu gostaria de ressaltar é que ele é um dos poucos quadrinistas que em sessões de autógrafos sempre pergunta o que você achou da obra, está sempre disposto a discutir seu trabalho e isso é muito legal. Recomendo que, se você o encontrar em uma das diversas convenções que temos em nosso país, bata um papo com ele, vai ser uma conversa muito interessante eu garanto.

Paciência – Daniel Clowes

É difícil fazer histórias sobre viagens no tempo que sejam convincentes ou que ao menos não apresentem graves incongruências durante a trama. De cabeça, citaria apenas De Volta Para o Futuro como um bom exemplo e mesmo ele tem problemas em suas explicações. O mais recente trabalho de Daniel Clowes, Paciência, pode também ser citado como um bom exemplo.

Claro, a história não é só sobre viagens no tempo – na verdade esse é um elemento na narrativa -, mas sim sobre relacionamentos e autodescobrimento. Não vou falar muito sobre a trama pois qualquer revelação pode acabar entregando a experiência, mas digo que você deveria ler pois o quadrinho traz reflexões muito contundentes sobre o comportamento humano. A arte tem uns momentos psicodélicos e soluções narrativas inventivas. A história ganhou o Eisner e, mesmo com um final que não atende às expectativas, merece estar nessa lista.

Moby Dick – Christophe Chabouté

Adaptar um clássico da literatura para qualquer mídia é uma tarefa no mínimo ingrata. Grande parte dessas adaptações suprimem muito a obra original, simplificam mensagens e perdem a sutileza, mas talvez seja um estereótipo criado devido a quantidade de adaptações desse tipo que lemos em nosso tempo de escola. O trabalho de adaptar o clássico Moby Dick realizado pelo francês Christophe Chabouté rompe este estereótipo e se apresenta como uma das melhores HQs publicadas esse ano em nosso país.

Tudo nesse quadrinho é fascinante. A arte de Chabouté é impressionante. O uso que o artista faz do texto original do livro no quadrinho é preciso e ajuda a trazer fidelidade, ao mesmo tempo que cria algo novo. O trabalho gráfico da galera da editora Pipoca e Nanquim é espetacular. Enfim, todos esses são motivos para você querer ter este quadrinho em sua coleção. Estou ansioso para ler mais material deste autor e a editora já confirmou que vem muito mais por aí.

Confira nosso review deste quadrinho!

Senhor Milagre – Tom King e Mitch Gerards

Sou um grande apreciador do trabalho de Jack Kirby, mas o único contato que tive com uma de suas obras mais famosas, o Quarto Mundo, foi o Desenho animado da Liga da Justiça de Bruce Timm. Ao começar a ler a nova série do Senhor Milagre não esperava encontrar uma das coisas mais interessantes já feitas com super-heróis de todos os tempos.

Scott Free é um personagem atormentado de várias formas. É um mestre em escapar de armadilhas, mas talvez não consiga escapar da morte.

É difícil explicar qualquer coisa sobre esta série sem comentar teorias e dar spoiler, mas recomendo que você leia o mais rápido possível. Além do roteiro refinado de Tom King, a arte de Mitch Gerards complementa a história e nos faz pensar sobre diversos aspectos da história. Coisa de quem sabe o que está fazendo. Espero que a Panini lance logo este material por aqui.

Lanfeust de Troy – Christophe Arleston e Didier Tarquin

Este é com certeza um dos quadrinhos mais divertidos que já li na vida. Mistura aventura, comédia e fantasia de maneira nunca vista antes. A trama se passa no planeta Troy, um lugar onde a magia está por toda parte e cada habitante possui uma habilidade especial, uma espécie de superpoder mesmo que nem todas essas habilidades sejam realmente úteis.

O protagonista da trama é Lanfeust, um jovem que tem a habilidade de fundir metais apenas desejando que isso aconteça, então naturalmente ele acaba se tornando um aprendiz de ferreiro. Ele vive tranquilamente em sua vila até que um dia um arrogante cavaleiro aparece portando uma espada com um punho composto de marfim de Magohamoth, o animal que criou a magia em Troy. Ao tocar a espada Lanfeust adquire o poder supremo, que o permite fazer qualquer coisa.

A magia neste mudo, que permite aos habitantes utilizarem suas habilidades especiais, é mantida por magos locais. Nicoledes é o mago responsável pela aldeia de Lanfeust que, ao presenciar o poder supremo do protagonista, resolve ir até Eckmul, a cidade dos sábios, no qual a uma espécie de escola de magos para que ele possa descobrir a origem desta habilidade de Lanfeust. Acompanhado pelas filhas Cixi e C’ian (noiva de Lanfeust) e pelo próprio Lanfeust, ele parte para uma jornada em busca de novos ensinamentos.

Você dará boas risadas e se divertirá muito nesta viagem pelo mundo de Troy. A editora Marsupial já prometeu a continuação da série para o ano que vem, então aproveite e garanta já seu exemplar.

Confira o texto que eu escrevi pro Cena Medieval sobre essa HQ!

Paper Girls – Brian K. Vaughan e Cliff Chiang

Você deve conhecer Brian K. Vaughan, o cara está ganhando Eisner atrás de Eisner nos últimos anos por seu trabalho Saga e também é bastante lembrado por Y – O Último Homem (o qual resenhamos os dois primeiros volumes aqui e aqui). Em Paper Girls ele escreve uma história um pouco diferente, que mistura nostalgia e Ficção Científica.

Por que eu mencionei nostalgia? Bem a série é ambientada nos anos 80 e diversos elementos da época estão presentes aqui sejam roupas, filmes, discos e veículos. Se você assistiu Stranger Things perceberá certa semelhança nesta ambientação e se você viveu entre os anos 80 e 90 se sentirá ainda mais imerso.

A época não é exatamente o foco da história, mas sim Mac, Erin, KJ e Tiff, entregadoras de jornais que no dia seguinte ao Halloween se encontram e resolvem realizar as entregas juntas, para evitar os problemas que podem vir a acontecer. Elas só não esperavam que passariam por situações no mínimo inusitadas.

O roteiro de Vaughan é cheio de mistérios que atraem a atenção do leitor e a arte de Cliff Chiang é sensacional, o cara é um dos melhores artistas da atualidade. Quero muito ler as continuações da história e ver onde tudo isso vai dar.

Os Maiores Super-Heróis do Mundo – Paul Dini e Alex Ross

Alex Ross é um dos mais famosos ilustradores de quadrinhos da atualidade. No fim dos anos 90 e começo dos anos 2000 os personagens mais famosos da editora estavam completando 60 anos, uma data que o artista pensou ser perfeita para homenagear os personagens. Paul Dini, um dos responsáveis pelo sucesso das animações da DC e co-criador da Arlequina, foi convocado para ajudar Ross nos roteiros.

Esse encadernado reúne todos os seis álbuns publicados pela dupla: Superman – paz na terra, Batman – Guerra ao Crime, Shazam – O Poder da Esperança, Mulher-Maravilha – o Espírito da Verdade, Liga da Justiça – Origens e Liga da Justiça – Liberdade e Justiça. Ao lê-las você lembra a razão desses personagens serem tão icônicos, você deseja que eles existam de verdade pelo o que eles representam. Gostaria de destacar a história do Shazam, que toca profundamente o leitor.

Quer começar a ler DC? Este é um excelente ponto de partida. Se Zack Snyder tivesse lido isso, não teríamos aquela deturpação absurda nos filmes do universo DC.

Beasts of Burden – Rituais Animais – Evan Dorkin e Jill Thompson

E se Stephen king escrevesse uma história com animais como protagonistas? Beasts of burden é mais ou menos isso.

A HQ conta a história de um grupo de cachorros (e um gato) habitantes de Burden Hill, uma cidade aparentemente pacata, mas que é assolada por problemas de cunho sobrenatural, desde cães zumbis até rituais e magia negra e sapos demoníacos. Com os habitantes humanos alheios a esses problemas, cabe a esse grupo de animais manter toda a sociedade a salvo.

O encadernado é composto por diversas histórias antológicas que vez ou outra se referenciam e o ponto mais legal de todas elas é acompanharmos o relacionamento entre os animais. Cada cachorro é de uma raça diferente que acaba influenciando em sua personalidade, há o líder não proclamado na figura do Campeão, o membro da equipe que vive reclamando sobre tudo na figura do Pugs, o mais assustado do grupo na figura do Branquelo. Enfim, vários arquétipos clássicos das histórias que mencionei anteriormente.]

O roteiro de Evan Dorkin é imprevisível e a arte de Jill Thompson é belíssima, toda feita em aquarela. O acabamento da editora Pipoca e Nanquim também merece elogios, a edição está muito bonita. Espero que o volume 2 seja lançado em breve.

Confira nosso review deste quadrinho!

Hellboy – Mike Mignola

Eu sempre gostei dos filmes do Hellboy, acho o personagem muito interessante, porém nunca havia lido um quadrinho deles. Este ano resolvi mudar isso e investi nas edições históricas do personagem lançada pela Mythos e não me arrependi.

Hellboy não tem uma história ruim sequer, todas são divertidas (no sentido de entretenimento) e com uma arte espetacular. O primeiro arco tem roteiro de John Byrne, um dos meus quadrinistas favoritos, e foi muito bacana ver como Byrne e Mignola trabalham o personagem de forma diferente, mas com igual qualidade.

Sei que é um material caro e extenso, mas a Mythos vive criando promoções bem atrativas nessa coleção. Se você tiver a oportunidade pode comprar sem medo.

Gotham DPGC (Gotham City Contra o crime) – Ed Brubaker, Greg Rucka e Michael Lark.

Esta é uma série que eu poderia ler para sempre. Acompanhar o departamento de polícia de Gotham combatendo os malucos que assolam Gotham é uma experiência incrível.

Os personagens são interessantes, os dramas entre eles super realistas, a relação entre Batman e polícia é muito bem trabalhada, o roteiro de Brubaker e Rucka mantém o leitor entretido e a arte de Michael Lark ajuda a trazer o clima Noir à história. Mesmo querendo ler mais sobre esses personagens, o final da série é excelente. Uma das melhores coisas que você vai ler na sua vida.

Confira nossa Recomendação da Semana sobre este quadrinho!

Um Pequeno Assassinato – Alan Moore e Oscar Zárate

É claro que um trabalho do meu escritor favorito não poderia ficar de fora dessa lista. Um Pequeno Assassinato traz diversas reflexões bastante contundentes sobre nossas vidas.

Um Pequeno Assassinato narra a história de Timothy Hole, um renomado publicitário que têm a difícil missão de elaborar uma campanha de venda de refrigerantes na Rússia pós-Guerra Fria. Com o passar da história vemos que Timothy é uma pessoa incapaz de enfrentar seus erros do passado e vê sua realidade ser abalada quando um deles retorna para assombrá-lo.

Moore construiu uma história que fala muito sobre a natureza humana, ao mesmo tempo em que inseriu muito de sua própria trajetória, trazendo certo aspecto auto-biográfico à obra. Há também diversas metáforas e brincadeiras narrativas ao longo da HQ, muito devido às intervenções de Zárate no roteiro.

Quanto menos você souber sobre o quadrinho melhor. Garanto que este é um quadrinho que você lerá diversas vezes e aprenderá ainda mais em cada leitura.

Confira nosso review deste quadrinho!

Elric – O Trono de Rubi – Julien Blondel, Jean – Luc Cano, Robin Recht, julien Telo e Jean Bastide

Michael Moorcock não é um autor muito conhecido por aqui, já que foi pouquíssimo publicado em nosso país. O cara é um dos escritores mais importantes do gênero Espada e Feitiçaria e Elric, sua mais famosa criação, é o segundo personagem mais importante do gênero, atrás apenas de Conan.

A Mythos lançou este encadernado que reúne os dois primeiros volumes de uma série francesa que adapta os livros de Moorcock. Segundo o próprio Moorcock menciona no prefácio, essa é a adaptação mais fiel á sua obra e possuí algumas mudanças que ele gostaria de aplicar aos seus livros.

Explicando rapidamente, Elric é o governante de Melniboné, um reino milenar que está em decadência, e também um poderoso feiticeiro. Porém, o personagem padece por ser albino e fraco, precisando de poções para que possa sobreviver, o que faz com que muitos questionem seu direito ao posto, sendo o principal antagonista seu primo Yyrkoon.

Como você pode perceber, isso constrói uma tensão política gigante que conduz toda a história deste volume. Tudo regado à grandes batalhas, poderosos feitiços, carnificina e uma arte que enche os olhos. Definitivamente um dos grandes acertos da Mythos e um dos melhores lançamentos deste ano.

Verões Felizes – Rumo ao Sul – Zidrou e Jorge Lafebre

Esta é uma das melhores HQs que eu já li na vida. Uma HQ que fala sobre a vida, sobre famílias, sobre raios de sol, sobre felicidade. É impressionante como Zidrou e Lafebre construíram uma história emocionante apenas falando sobre o cotidiano.

Os membros da família Faldérault são as figuras centrais nesta história, que se inicia com Pierre e Mardô, pais de Louis, Nicole, Julie e Paulette, relembrando férias espetaculares que eles tiveram em verões passados. A história vai para o ano de 1973, onde acompanhamos uma dessas férias e aprendemos muitas lições.

Pierre é um quadrinista, que vive perdendo o prazo de seus quadrinhos e sonha em emplacar uma série de sucesso. Mardô é uma vendedora de sapatos, que está insatisfeita com seu trabalho e com o curso que sua vida seguiu. Conforme a história vai avançando, descobrimos que o relacionamento deles não vai nada bem e que a viagem de férias que eles estão fazendo com a família pode ser a última.

Não falarei muito mais sobre a história pois acho que isso estragaria a experiência ao ler a HQ, que eu ressalto que você deve ler o mais rápido possível. Mas quero deixar aqui uma lição muito bonita que a HQ transmite: Por mais que o sol não brilhe sempre, devemos apreciar cada momento no qual ele aparece e ilumina as nossas vidas.

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Chico Bento – Arvorada – Orlandeli

Eu falei no inicio do texto que esta lista não estaria em ordem de preferência, mas é impossível que o único quadrinho que me fez chorar este ano não seja o primeiro da lista. Se eu tivesse que escolher um único quadrinho desta lista, com certeza seria esse.

Em Arvorada acompanhamos uma situação de Chico Bento junto à sua amável avó, Vó Dita, na qual ele aprenderá a valorizar os momentos especiais da vida, por mais simples que eles sejam. Parece uma lição óbvia, que todo mundo conhece, mas as pessoas tendem a esquecer e ignorar diante às tensões do dia a dia.

A história é de uma sensibilidade impressionante. Você termina a leitura refletindo o que foi dito e inevitavelmente emocionado, principalmente se você tem ou já teve uma figura como a Vó Dita em sua vida, seja não só na figura de avó, mas também como na de mãe ou de tia. Como este é o meu caso, confesso que ao virar a última página é impossível que você não derrame uma lágrima ou duas.

Estou ansioso para ler mais trabalhos do Orlandeli. Fiquem de olho no trabalho deste cara.

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Menções Honrosas

Preciso citar algumas HQs que por razões que não consigo explicar ficaram de fora da lista principal rs. Todas também apresentam alto nível de qualidade.

Slam Dunk – Takehiko Inoue

Eu gostava bastante de Super Campeões quando era criança. Um Anime de esporte era coisa pouco comum no meio de tantos Shonens que passavam na TV, mas eu achava muito bacana acompanhar a jornada de Oliver Tsubasa para se tornar um jogador de futebol profissional.

Bem, talvez minha afeição ao Anime fosse porque eu gosto de futebol, mas e Basquete? Bem, já assisti a um jogo ou outro, mas nunca fui um aficionado por este esporte. Então o que eu poderia ver em Slam Dunk, um mangá que mostra a jornada de um estudante do colegial japonês que se torna jogador?

Este é o ponto, Slam Dunk não é só um mangá sobre o esporte, mas sobre os personagens, que são muito bacanas. A arte de Takehiko Inoue, o mesmo do sensacional Vagabond, está muito caprichada e o roteiro dele é divertidíssimo

Holandeses – André Toral

Esta HQ narra a história dos irmãos Cástor e Esaú, Judeus Sefardistas que viviam em Amsterdã e resolvem ir à Pernambuco em busca de sinais da proximidade da vinda do Messias, aquele que libertará os judeus. Entre os sinais está a existência de tribos de índios, descendentes de judeus, que supostamente viveriam no interior do Brasil.

A história se passa no século XVII e ao mesmo tempo que conta a história dos irmãos em busca dos sinais da vinda do Messias, também apresenta acontecimentos sobre o domínio Holandês no Nordeste brasileiro e a retomada portuguesa do território.

É muito interessante acompanhar a jornada dos irmãos, que embora gêmeos não poderiam ser mais diferentes. Esaú é um empreendedor, rígido e que está muito interessado em descobrir ramificações do seu povo em terras brasileiras. Cástor é mais ligado à arte, em curtir a vida e viver um grande amor. Em alguns momentos me lembrei de Dois Irmãos, obra que também fala do mesmo tipo de relação, porém com outros objetivos.

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Y – O Último Homem – Brian K. Vaughan e Piá Guerra

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O que aconteceria se uma praga de origem desconhecida dizimasse os machos de todas as espécies que habitam o planeta terra? Y – O Último Homem tenta trazer uma resposta para essa situação.

Este quadrinho narra a história do jovem ilusionista Yorick Brown e de seu macaco Ampersand, os únicos sobreviventes da praga que assolou o planeta e dizimou todos os machos. Com a extinção dos homens, as mulheres têm que assumir o controle da sociedade e é aí que mora a genialidade do roteiro de Vaughan. O escritor discute questões como a diferença de força do homem e da mulher na sociedade, o porquê desta diferença existir, a separação de atividades na sociedade de acordo com o gênero, o extremismo de certos grupos entre outras. Tudo sendo tratado de maneira cuidadosa e as vezes bem-humorada. Claro que ter uma mulher na produção da HQ ajudou bastante na abordagem desses temas.

Confira o review do volume 1 e do volume 2 deste quadrinho!

Vagabond – Takehiko Inoue

Mais um trabalho de Takehiko Inoue. Aqui ele narra a história de Musashi Myamoto, um dos maiores espadachins da história, narrada por Takehiko Inoue, possivelmente é a melhor publicação em bancas na atualidade. Um primor de roteiro e arte, Vagabond com certeza te deixará de queixo caído.

O roteiro de Vagabond mistura filosofia e muita ação, mas a arte deste mangá é o que mais chama atenção. Cada quadro é feito com o cuidado que uma verdadeira obra de arte merece e faz você se questionar como um único artista é capaz de produzir algo nesse nível.

Vagabond é uma excelente pedida se você está procurando algo um pouco diferente do convencional do mundo dos quadrinhos. Aproveite que após várias tentativas de outras editoras, a Panini está conseguindo publicar o mangá no formato que ele merece e nos dá a perspectiva de que não abandonará a obra antes do fim.

Confira nossa Recomendação da Semana sobre este quadrinho!

Hellblazer Demoníaco – Paul Jenkins e Sean Philips

Paul Jenkins inicia sua fase na revista de John Constantine meio devagar, amarrando as pontas soltas deixadas por Eddie Campbell que foi retirado da revista no meio de uma trama, mas quando engrena o nível aumenta muito.

Jenkins explora diversos temas e sabe caracterizar muito bem Constantine. Além dos bons roteiros, a arte de Sean Philips é um belo complemento pra revista, sendo bastante sombria. Ter um bom desenhista faz total diferença, algo que não existe na fase de Garth Ennis infelizmente (me desculpem os fãs de Steve Dillon).

Fullmetal Alchemist – Hiromi Arakawa

Está sendo muito legal reviver essa história que acompanhei há muito tempo através do anime. A saga dos irmãos Elric é um dos melhores mangás shonen que eu já li, pois vai muito além das lutas tão tradicionais nesse gênero. Tem filosofia, lições sobre amizade e uma história que emociona em diversos momentos. Se você é fã desse tipo de história não perca tempo e acompanhe esta excelente narrativa.

Mulher-Maravilha – George Pérez

George Pérez teve a difícil tarefa de recontar a origem da Mulher-Maravilha e o resultado final supera qualquer expectativa. Além de trazer uma belíssima arte, padrão em quase todos os trabalhos deste gênio, também há um roteiro que mistura o mundo real com muita Mitologia Grega. Você não consegue parar de ler até chegar ao final, pois as histórias são muito interessantes e você fica esperando como Perez adaptará as lendas que todos nós conhecemos desta mitologia.

É importante mencionar que Perez teve a ajuda de Len Wein para a estruturação de seus roteiros, já que na época ele estava iniciando sua carreira como roteirista. Outro fato curioso referente a este trabalho é que foi um dos primeiros a ter Karen Berger como editora, que você deve conhecer por acontecimentos como a invasão britânica e a criação da Vertigo.

Dreadstar – Jim Starlin

Que Jim Starlin é um mestre das sagas cósmicas todo mundo sabe, já que o cara revolucionou o ambiente cósmico da Marvel e fez excelentes histórias na DC com esta temática, como Odisseia Cósmica. Mas o que é importante ressaltar é que seu trabalho autoral com esta temática também é fantástico! Li a primeira Graphic novel de Dreadstar, Odisseia da Metamorfose, que está presente no encadernado, lançado pela Mythos, chamado Dreadstar – O Início.

Starlin apresenta uma bela arte pintada e uma história que envolve diversas raças alienígenas, a queda de impérios galácticos e o extermínio de muitos seres. Me impressiona que isso ainda não tenha virado filme pois seria um excelente blockbuster. Se você é fã de sagas cósmicas, Dreadstar é essencial.

E finalmente chegamos ao final desse top 15 (que acabou virando um top 23 rs). Pude descobrir muitas HQs excelentes em 2017, foi difícil escolher apenas estas. Espero que 2018 seja ainda mais proveitoso. E você, quais foram suas melhores leituras em 2016? Tem alguma coisa em comum com a minha lista? Deixa aí nos comentários, vamos trocar recomendações. Sempre descobrimos algo novo nesse tipo de discussão.

Lembrando que agora o site entrará de férias (afinal nós merecemos rs) e voltará apenas em fevereiro, com força total. Caso queira conversar com a gente, sempre estarei de olho nos comentários do site e das redes sociais então pode mandar mensagens por estes meios. Um feliz 2018 e até lá!

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Chico bento – Arvorada
Verôes Felizes
Gotham DPGC
Beasts Of Burden 
Moby Dick
Um Pequeno Assassinato
Lanfeust de Troy
Paciência 
Paper Girls
Homem de Ferro – O Homem mais procurado do mundo 
Elric – O Trono de Rubi
Tungstênio
Os Maiores Super Heróis do Mundo 
Hellboy 

Slam Dunk
Holandeses 
Y-O Último Homem 
Vagabond
Fullmetal Alchemist
Mulher Maravilha de George Perez 
Dreadstar

 

 

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Lucas Araújo

Programador, estudante de TI e co-fundador do Justiça Geek. Fanático por quadrinhos, aficionado por filmes e séries, leitor faminto, gamer esporádico e músico (muito) frustrado. Gosta de falar sobre tudo isso em seu tempo livre(ou até mesmo quando não está tão livre...), debatendo questões essenciais para a humanidade como quem vence um crossover entre super- heróis, qual é seu escritor favorito e se um filme foi bem feito.